A QatarEnergy, empresa estatal de petróleo e gás do Catar, informou sobre um "ataque com mísseis" contra a cidade industrial de Ras Laffan na noite desta quarta-feira (18).
Segundo a companhia, o incidente provocou incêndios que causaram danos significativos às instalações. No entanto, "todo o pessoal está em segurança e, até o momento, não há relatos de vítimas".
O Ministério das Relações Exteriores do Catar responsabilizou o Irã pelo "ataque brutal" e afirmou que se trata de uma "escalada perigosa" e de uma "abordagem irresponsável que compromete a segurança regional e ameaça a paz internacional".
"O Catar, apesar de ter se mantido distante desta guerra desde o início e de buscar não participar de qualquer escalada, está sendo alvo de ataques por parte do Irã, que insiste em atingir o país e seus vizinhos", afirmou o ministério, ao instar o Conselho de Segurança da ONU a agir em favor da paz e da segurança internacional.
A Bloomberg apontou que Ras Laffan abriga a maior planta de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, cuja produção foi interrompida no início deste mês e que normalmente representa cerca de um quinto do fornecimento global de gás natural.
O ataque à instalação representa uma nova escalada no conflito no Oriente Médio e ocorre após as Forças Armadas do Irã emitirem um "alerta urgente" a cidadãos da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar para que se mantenham afastados de instalações petrolíferas.
"Essas instalações se tornaram alvos diretos e legítimos e serão atacadas nas próximas horas", afirmaram em comunicado, instando a população a "abandonar imediatamente" as áreas mencionadas e buscar abrigo.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.