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Ataque israelense contra instalações de gás iranianas é 'perigoso e irresponsável', denuncia Catar

"Apelamos a todas as partes para que ajam com moderação", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar.
Ataque israelense contra instalações de gás iranianas é 'perigoso e irresponsável', denuncia CatarAP / Vahid Salemi

O porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al-Ansaricriticou duramente Israel nesta quarta-feira (18) após o ataque ao maior campo de gás do Irã, o South Pars.

"O ataque israelense contra instalações ligadas ao campo iraniano de South Pars, extensão do campo catariano de North Pars, constitui uma ação perigosa e irresponsável no contexto da atual escalada militar na região", escreveu o porta-voz em sua conta no X.

Al-Ansari alertou que os ataques contra a infraestrutura energética representam "uma ameaça à segurança energética mundial, bem como aos povos da região e ao meio ambiente".

"Reiteramos, como já insistimos em repetidas ocasiões, a necessidade de evitar ataques a instalações vitais. Apelamos a todas as partes para que ajam com moderação, respeitem o direito internacional e trabalhem para alcançar uma desescalada que preserve a segurança e a estabilidade da região", afirmou.

Ataques contra South Pars

A agência Fars informou que vários trechos do campo de gás South Pars — o maior do mundo — foram fechados no Irã hoje após bombardeios dos Estados Unidos e de Israel.

As áreas afetadas foram desativadas para controlar o incêndio e impedir sua propagação. A situação no local está sob controle e os bombeiros trabalham para extinguir as chamas.

Anteriormente, o Irã havia alertado que, em caso de ataque contra suas instalações energéticas, toda a infraestrutura energética que abastece os Estados Unidos e Israel na região seria um alvo legítimo para ataques retaliatórios.

Após o ataque, registrou-se um aumento de mais de 5% nos preços do gás natural.

Possível resposta

As Forças Armadas do Irã emitiram um "alerta urgente" aos cidadãos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar para que se mantenham afastados de suas instalações petrolíferas, pois esses objetos se tornaram "alvos diretos e legítimos" de ataques que serão efetuados nas próximas horas, segundo informou a agência Tasmin, na quarta-feira (18). 

O comunicado pede a "todos os cidadãos, residentes e funcionários" que abandonem "sem demora" essas áreas e se desloquem para uma distância segura, acrescentando que foram emitidos avisos "claros e reiterados" aos governantes desses países.

Em particular, alerta-se que os cidadãos e residentes devem evitar permanecer nas proximidades de:

  • Refinaria de Samref – Arábia Saudita
  • Campo de gás Al Hosn – Emirados Árabes Unidos
  • Complexo petroquímico de Jubail – Arábia Saudita
  • Complexo petroquímico de Mesaieed e a empresa Mesaieed Holding (afiliada à Chevron) – Catar
  • Refinaria Ras Laffan (fases 1 e 2) – Catar

Guerra no Oriente Médio

  • Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
  • Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
  • Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
  • Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.

  • Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.

  • Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.