O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à Al Jazeera nesta quarta-feira (18) que as ações dos EUA contra seu país resultam de um "erro de cálculo" estratégico.
O ministro destacou que os americanos foram arrastados para o conflito por Israel, mais especificamente pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. "Nem eles mesmos sabem qual é o objetivo final, todos os dias falam sobre algo diferente. Tudo isso se baseou em um erro de cálculo", declarou ele, referindo-se à falta de coerência no discurso do governo do presidente Donald Trump.
Araghchi afirmou que cabe a Washington reconhecer que "cometeu um erro" e pôr fim às agressões. Ele enfatizou ainda que Teerã não aceitará um acordo de cessar-fogo temporário, mas deixou em aberto a possibilidade de uma solução permanente negociada, com garantias de que uma situação semelhante à atual não se repetirá.
"Não aceitamos um cessar-fogo. No entanto, se houver uma proposta para pôr fim à guerra que atenda às nossas condições, de modo que a guerra termine definitivamente em toda a região e os danos sofridos pelo Irã sejam indenizados, sem dúvida a ouviremos", declarou.
O ministro garantiu que as autoridades iranianas, incluindo ele próprio, estão dispostas a dar a vida para defender os interesses do país. Além disso, reconheceu os danos causados a outras nações da região pelos ataques de retaliação iranianos, mas responsabilizou Washington por ter provocado o conflito. "Esta é uma guerra que os EUA escolheram", afirmou.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu o direito de desenvolver um programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.