
Quem é Ali Larijani, 'o Kennedy do Irã', morto em ataque atribuído a Israel

Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, foi morto em um ataque assumido por Israel, nesta terça-feira (17), segundo anunciou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
Larijani era um dos principais alvos dos Estados Unidos, que o descreviam como um dos "líderes-chave do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e de suas ramificações" e anunciaram na semana passada uma recompensa de US$ 10 milhões por informações que levassem à sua captura.

"O Kennedy do Irã"
Integrante de uma família influente, Larijani foi descrito pela revista Time, em 2009, como parte dos "Kennedy do Irã". Seu pai, Mirza Hashem Amoli, foi um destacado erudito religioso, e vários de seus irmãos ocuparam cargos relevantes, sobretudo no Judiciário e em instituições religiosas.
Ele também mantinha vínculos com a elite revolucionária iraniana. Aos 20 anos, casou-se com Farideh Motahari, filha de Morteza Motahari, aliado próximo do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.

Carreira política
Larijani iniciou sua trajetória política após a Revolução de 1979, no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, e posteriormente ocupou cargos como ministro da Cultura e chefe da radiotelevisão estatal.
Em 2005, candidatou-se à presidência sem sucesso, mas no mesmo ano foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e principal negociador do setor nuclear, funções que deixou em 2007.
Entre 2008 e 2020, presidiu o Parlamento iraniano, desempenhando papel central na política interna e externa, apoiando o acordo nuclear de 2015. Após deixar o cargo, tentou novamente disputar a presidência em 2021 e 2024.
Em agosto de 2025, foi novamente nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional pelo presidente Masoud Pezeshkian.
Após a morte de Khamenei
Considerado um dos homens de confiança do aiatolá Ali Khamenei, Larijani passou a ser visto como peça-chave para a continuidade do sistema político iraniano.
Como uma das principais autoridades do país, dirigiu-se à população pela televisão 24 horas após Estados Unidos e Israel, em ataque conjunto, assassinarem o líder supremo no dia 28 de fevereiro.
"Os Estados Unidos e o regime sionista incendiaram o coração da nação iraniana […] Vamos incendiar o coração deles", afirmou na ocasião.
"Faremos com que os criminosos sionistas e os descarados norte-americanos se arrependam de seus atos […] Os bravos soldados e a grande nação do Irã darão uma lição inesquecível aos opressores internacionais", declarou em suas redes sociais.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.

