
Meloni critica ataques ao Irã e fala em crise do direito internacional

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, criticou os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e afirmou que as ações refletem uma "evidente crise do direito internacional e dos organismos multilaterais". A declaração foi feita na quarta-feira (11), durante discurso no Senado italiano.
Segundo Meloni, a intervenção militar deve ser analisada no contexto de um "colapso de uma ordem mundial compartilhada". "É nesse contexto de crise estrutural do sistema internacional que devemos também situar a intervenção americana e israelense contra o regime iraniano", afirmou.

A premiê ressaltou que a Itália não participa e não pretende participar do conflito. Ela disse que Roma vinha trabalhando nos últimos meses, junto a países como Omã e Catar, para evitar uma escalada e favorecer negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Meloni também condenou o que chamou de "massacre de meninas" após um ataque contra uma escola na cidade de Minab, no sul do Irã, que deixou ao menos 170 mortos, a maioria crianças. A líder italiana pediu que as responsabilidades pelo bombardeio sejam esclarecidas.
"Afirmamos com firmeza que, mesmo no contexto de ações militares destinadas a neutralizar capacidades bélicas, a segurança dos civis deve ser preservada, a começar pelas crianças", declarou.
As declarações ocorrem em meio ao crescente debate na Europa sobre a guerra contra o Irã e às preocupações com os impactos econômicos e de segurança do conflito para o continente.
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.
