
'É essencial manter bloqueio do Estreito de Ormuz': Novo líder supremo do Irã se dirige à nação

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, segundo filho do aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia da campanha de bombardeios em massa de Washington e Tel Aviv contra Teerã, discursa à nação persa nesta quinta-feira (12).
"É fundamental continuar com o bloqueio do estreito de Ormuz. Foi estudada a possibilidade de abrir outras frentes onde o inimigo tem pouca experiência e será extremamente vulnerável, o que será feito se a situação de guerra persistir e em função dos interesses", diz a mensagem do líder supremo, que não apareceu pessoalmente.

Se dirigindo aos cidadãos, Mojtaba declarou que "não se deve permitir nenhum dano à unidade entre os indivíduos e os diferentes setores da população, que normalmente se torna especialmente visível em tempos difíceis. Isso será alcançado deixando de lado os pontos de desacordo", afirmou.
O líder supremo também advertiu que Teerã exigirá reparações de seus inimigos pelos danos sofridos, indicando que, se eles se recusarem a pagar, o Irã procederá à apreensão de bens na medida que considerar adequada e, se isso não for possível, destruirá ativos do mesmo valor.
Falando ao aos líderes de países da região, o líder supremo lembrou que o Irã compartilha fronteiras terrestres ou marítimas com 15 países vizinhos e afirmou que sempre desejou manter relações "calorosas e construtivas" com todos eles.
No entanto, acusou seus inimigos de terem estabelecido bases militares e financeiras em parte desses países há anos para garantir o domínio sobre a região.
"No recente ataque, foram utilizadas algumas bases militares e, naturalmente, tal como tínhamos avisado explicitamente, apenas atacamos essas bases sem prejudicar esses países", declarou, acrescentando que, a partir de agora, o Irão "será obrigado" a continuar com este tipo de ações.
O líder recomendou o fechamento das bases "o mais rápido possível" e afirmou que os países deveriam ter compreendido que as promessas dos EUA sobre o estabelecimento da segurança e da paz "não passavam de uma mentira".
"Esses países devem deixar clara sua posição em relação aos agressores de nossa querida pátria e aos assassinos de nosso povo", afirmou.
"Não desistiremos de vingar o sangue dos mártires", continuou Mojtaba.
"Uma parte limitada dessa vingança já tomou forma concreta até agora, mas enquanto não for alcançado o grau completo" disse, "em particular em relação ao sangue de nossas crianças e menores".
Mojtaba Khamenei lembrou o ataque criminoso dos Estados Unidos contra uma escola primária, que matou 175 pessoas, em sua maioria meninas, e outros casos semelhantes.
De acordo com a Constituição iraniana, a Assembleia de Especialistas, composta por 88 ulemás – juristas islâmicos, eleitos a cada oito anos por voto popular –, nomeou o sucessor do líder supremo assassinado.
Mojtaba Jamenei, de 56 anos, terá a última palavra em todos os assuntos do Estado e desempenhará a função de comandante-chefe das Forças Armadas e da Guarda Revolucionária, a qual seu pai concedeu mais poder durante seus quase 37 anos de mandato.
Escalada no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças em seu programa nuclear. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.

