Notícias

Houthis do Iêmen podem se juntar ao Irã contra EUA e Israel e fechar outro estreito estratégico — Fars

Grupo rebelde ameaça bloquear Bab el-Mandeb, passagem que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e por onde passa parte importante do comércio mundial.
Houthis do Iêmen podem se juntar ao Irã contra EUA e Israel e fechar outro estreito estratégico — FarsMohammed Hamoud / Gettyimages.ru

Os houthis do Iêmen e outros grupos aliados do Irã na região estariam prontos para se juntar, nos próximos dias, a Teerã em um possível confronto contra Estados Unidos e Israel. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (12) pela agência iraniana Fars News Agency.

Segundo fontes ouvidas pela agência, os houthis poderiam fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Cerca de 12% do comércio marítimo mundial passa por essa rota, e um bloqueio teria impacto direto no tráfego pelo Canal de Suez.

Na última quinta-feira (5), o grupo rebelde afirmou que está com "o dedo no gatilho" e pronto para atacar "a qualquer momento".

«QUEM SÃO OS HOUTHIS, O PODEROSO E CRESCENTE MOVIMENTO REBELDE DO IÊMEN? SAIBA MAIS AQUI.»

Desde o início da guerra na Faixa de Gaza, os houthis lançaram mais de 100 ataques com mísseis e drones contra navios mercantes no Mar Vermelho entre novembro de 2023 e janeiro de 2025. As ações reduziram significativamente o tráfego marítimo na região. Com receio de novos ataques, grandes companhias de transporte passaram a desviar suas rotas para longe do Canal de Suez.

Agora, um eventual bloqueio de Bab el-Mandeb poderia ampliar ainda mais os impactos, somando-se ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A passagem é a única rota de entrada e saída do Golfo Pérsico e por ela circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.

Esse cenário também ameaça interromper o fluxo de petróleo da Arábia Saudita, um dos maiores exportadores globais de petróleo, que passou a redirecionar parte de suas exportações para o Mar Vermelho após as tensões no Estreito de Ormuz.

Agressões contra o Irã

  • Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
  • Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
  • Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
  • Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.

  • Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
  • Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.