
Irã anuncia que não disputará Copa do Mundo de 2026

O Irã anunciou que não participará da Copa do Mundo de 2026, que será sediada pelos Estados Unidos, Canadá e México, comunicou o ministro do Esporte, Ahmad Donyamali, à imprensa iraniana nesta quarta-feira (11).

"Considerando que este regime corrupto [EUA] assassinou nosso líder, sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo", afirmou Donyamali, referenciando a morte do aitaolá Ali Khamenei, ocorrida em 28 de fevereiro, no primeiro dia das agressões americano-israelenses contra o país persa.
Segundo ele, as ações hostis perpetradas contra o Irã forçaram o país a enfrentar duas guerras em um período de oito ou nove meses — apontando para o antecedente da Guerra dos Doze Dias em junho de 2025 — causando o martírio de milhares de cidadãos.
"Com o cenário atual, ninguém em sã consciência aceitaria que a seleção nacional fosse enviada para os Estados Unidos", questionou.
Conforme regulamentação da FIFA, qualquer equipe que se retire do torneio até 30 dias antes da primeira partida enfrentará multa mínima de 250 mil francos suíços (cerca de R$ 1,6 milhão), além de possíveis sanções disciplinares que incluem a expulsão de competições futuras e substituição por outra associação-membro.
Organização do evento
A competição da FIFA será realizada entre 11 de junho e 19 de julho de 2026.
O Irã está no Grupo G ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Todos os três jogos da equipe estão programados para os Estados Unidos, com dois em Los Angeles e um em Seattle.
A seleção iraniana dominou as eliminatórias asiáticas e garantiu classificação em março de 2025, porém foi o único país ausente na cúpula de planejamento da FIFA realizada na semana passada na cidade de Atlanta, nos EUA, segundo o jornal britânico Reuters.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, mencionou também nesta quarta-feira ter conversado com o presidente dos EUA, Donald Trump, que teria manifestado receptividade à participação iraniana. Apesar disso, Trump havia demonstrado indiferença quanto à presença do país no mundial.
Agressões contra o Irã
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.

