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Tráfego naval no Estreito de Ormuz cai 97% e eleva riscos para o comércio global, diz ONU

Relatório aponta disparada no gás, no combustível marítimo e no custo de seguros. Rota é estratégica para petróleo e fertilizantes.
Tráfego naval no Estreito de Ormuz cai 97% e eleva riscos para o comércio global, diz ONUGettyimages.ru / Anadolu

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz caiu 97% em meio à escalada militar no Oriente Médio A redução no fluxo provocou choques nos mercados de energia e cadeias globais de suprimento, de acordo com relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), divulgado nesta terça-feira (10).

O estreito é um ponto crítico do comércio global por concentrar cerca de 25% do petróleo transportado por mar no mundo. Além disso, passam pela região grandes volumes de gás natural liquefeito e fertilizantes. 

Os impactos já aparecem nos preços. Segundo o relatório, o gás natural registrou alta de 74% em poucos dias, enquanto o combustível usado por navios subiu quase 100%, pressionando os custos de transporte.

A rota também é estratégica para a agricultura global. Cerca de um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes passa pela região do Golfo Pérsico, o que pode provocar pressão nos preços da cadeia de produção de alimentos.

Os custos secundários de navegação também aumentaram rapidamente. Prêmios de seguro contra riscos de guerra podem chegar a US$ 1 milhão por viagem para grandes petroleiros, quadruplicando os valores anteriores à crise.

Na segunda-feira (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou à Corporação Financeira de Desenvolvimento dos EUA (DFC) que ofereça seguros contra riscos políticos para o comércio marítimo no Golfo.

« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

Agressão contra o Irã

  • Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
  • Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
  • Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
  • Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.

  • Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
  • Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.