Analistas contradizem alegações de arsenal 'quase ilimitado' dos EUA em agressão contra Irã

Embora o Pentágono afirme ter munição suficiente para alcançar seus objetivos militares, especialistas alertam que uma guerra prolongada colocaria à prova as capacidades dos EUA.

As afirmações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o Exército de seu país dispõe de armamento "quase ilimitado" para travar "guerras eternas", podem não estar alinhadas com a realidade, revelou uma análise publicada pelo jornal Military Times.

Segundo a reportagem, sempre que um míssil ou drone iraniano ataca, os EUA lançam interceptores caros (como Patriot, SM-3 ou THAAD) para destruí-los no ar e proteger suas bases ou seus aliados. O relatório alerta que o uso intensivo de interceptores de mísseis durante a agressão americana contra o Irã coloca em risco suas defesas a longo prazo, já que esses sistemas de defesa podem acabar e não podem ser repostos rapidamente.

Citando pesquisa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o levantamento aponta que os EUA provavelmente usaram entre 100 e 150 interceptadores THAAD e 80 SM-3s em apoio a Israel durante a Guerra de Doze Dias contra o Irã em junho de 2025, além de um número desconhecido de interceptadores Patriot para defender a Base Aérea Al Udeid, no Qatar.

Em dezembro de 2025, havia apenas 414 unidades de SM-3 e 534 de THAAD, e embora sejam produzidos mais Patriot (até dois mil por ano atualmente), os sistemas mais avançados desses modelos levam anos para serem repostos, destacou Kelly Grieco, especialista em políticas de armamento do Centro Stimson em Washington D.C. A analista aponta que os EUA teriam que parar de interceptar todos os ataques de retaliação iranianos e priorizar, o que enfraqueceria sua proteção.

De acordo com a análise, se a guerra se prolongar e os EUA continuarem a gastar interceptores ao ritmo atual, poderão esgotar metade do seu arsenal em quatro ou cinco semanas, ou mesmo todo em poucos meses. O Irã, por outro lado, lança mísseis e drones baratos (um drone Shahed custa cerca de US$ 35 mil, contra quase US$ 4 milhões de um Patriot), o que transforma o conflito em uma "corrida de desgaste" entre as capacidades ofensivas do Irã e as capacidades defensivas dos EUA.

Agressão contra o Irã