Como a guerra no Oriente Médio afeta os preços dos combustíveis na América Latina?

Impacto na região não é uniforme, já que há países importadores de petróleo e outros produtores-exportadores.

O conflito iniciado com o ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e sua pronta retaliação está impactando diretamente o preço do petróleo. O barril registrou forte volatilidade na segunda-feira (9), superando os 100 dólares e chegando perto de 120 dólares nas primeiras horas do dia.

O principal fator da alta é o bloqueio parcial do estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica por onde passa cerca de um quinto do fornecimento mundial de energia.

Na América Latina, o impacto do aumento do petróleo — especialmente nos preços dos combustíveis — não é uniforme. A região reúne países importadores líquidos de petróleo e outros que são produtores e exportadores.

Produtores

No Brasilembora o país seja exportador líquido de petróleo, a precificação interna segue em grande parte as cotações internacionais. Ainda assim, o impacto da guerra para os consumidores pode demorar a aparecer, afirmou o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, citado pela Agência Brasil.

"É um processo longo, que pode levar até seis meses. Não haverá mudanças nos níveis de preços no curto prazo, nem mesmo para o consumidor brasileiro", disse Ardenghy.

Na Argentina, o presidente da empresa de energia YPF, Horacio Marín, afirmou em publicação na rede X que buscará evitar aumentos bruscos. Segundo ele, a companhia utiliza uma estratégia de "micropricing", que ajusta os preços em tempo real conforme fatores como demanda, horário e concorrência.

Marín explicou que o sistema também utiliza uma "média móvel" para suavizar picos de alta ou queda, oferecendo maior previsibilidade aos consumidores e preços mais estáveis.

O caso do México é diferente. Apesar de ser um importante produtor de petróleoo país importa grande parte da gasolina que consomeinformou a Bloomberg. Ainda assim, a presidente Claudia Sheinbaum afirmou que o preço do combustível não deve subir.

"Se o preço da gasolina aumentar, há um mecanismo por meio da redução do IEPS (Imposto Especial sobre Produção e Serviços) para evitar que a gasolina suba em nosso país", declarou a presidente em coletiva na segunda-feira.

Segundo análise da Oxford Economics citada pelo jornal El Economista, a Colômbia, assim como o México, provavelmente subsidiará totalmente o impacto da alta nos preços.

Importadores

O Chile, por outro lado, é um importador líquido de petróleo, e o aumento do preço internacional se traduz diretamente em combustíveis mais caros. Desde 5 de março, os preços da gasolina subiram cerca de 20 pesos (0,022 dólar) por litro em média e podem continuar aumentando se o petróleo permanecer em alta, segundo o veículo Ex-Ante. Até agora, o Mecanismo de Estabilização de Preços dos Combustíveis (MEPCO) tem evitado aumentos abruptos.

Situação semelhante ocorre em países da América Central, também importadores líquidos de petróleo. Em Honduras, a Associação Hondurenha de Distribuidores de Produtos de Petróleo (AHDIPPE) alertou para novas altas nos combustíveis devido às tensões no Oriente Médio, além de possíveis aumentos na energia elétrica e em produtos da cesta básica nas próximas semanas.

Na Guatemala, entre 1º e 7 de março, o preço dos combustíveis também subiu. A gasolina comum passou de 28,57 quetzais (3,72 dólares) por galão para 31,59 (4,11 dólares), uma alta de 10,6%, enquanto o diesel subiu 11%, segundo o jornal Prensa Libre.

No Panamá, as autoridades anunciaram na semana passada um aumento nos preços dos combustíveis, levemente superior ao registrado em fevereiro. De acordo com o governo, o impacto do conflito no Oriente Médio ainda é limitado no cálculo atual dos preços.

Agressão contra o Irã