
Plano de Trump para Gaza fica suspenso após ataques contra o Irã, diz Reuters

As negociações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra na Faixa de Gaza estão suspensas desde a semana passada, informou a agência Reuters nesta segunda-feira (9).
Segundo três fontes "com conhecimento direto das negociações", que falaram sob condição de anonimato, as conversas foram interrompidas porque a ofensiva militar dos EUA e de Israel contra o Irã "perturbou a diplomacia" e desviou a atenção de Washington para Teerã.
De acordo com a agência, a pausa nas negociações "ameaça paralisar a implementação da principal iniciativa de paz de Trump", que o presidente tem apresentado como um objetivo central de sua política externa.
A situação ocorre menos de um mês depois de Trump prometer bilhões de dólares em contribuições para Gaza por parte de Estados árabes do Golfo.

Segundo as fontes, o plano de Trump para Gaza dependeria, em parte, de que militantes do Hamas depusessem as armas em troca de anistia. Este seria um passo para abrir o caminho da reconstrução após os massivos bombardeios de Israel que destruíram territórios palestinos.
Divergências
No entanto, outro funcionário da Casa Branca negou que as conversas sobre o plano de Trump para Gaza estejam suspensas e afirmou que "as discussões sobre o desarmamento continuam e são positivas".
Ele acrescentou que "todos os mediadores concordam" que o desarmamento é "um passo crítico para permitir a reconstrução para o povo de Gaza".
Diante disso, Zaha Hassan, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, sediado em Washington, afirmou que países como os Emirados Árabes Unidos e o Catar — que prometeram recursos para a missão do Conselho de Paz de Trump — estariam questionando se os fundos prometidos para Gaza seriam um "bom investimento", já que eles próprios estão "desviando de foguetes" em meio à guerra de Israel e dos EUA contra o Irã.
"Interrupções nos voos"
Uma das fontes citadas pela Reuters descreveu a pausa nas conversas — que têm ocorrido com frequência no Cairo, Egito — como "um atraso breve e menor causado por interrupções nos voos que impedem mediadores e representantes de viajar pela região".
No entanto, os porta-vozes concordam que, no longo prazo, o Conselho de Paz considera que a guerra pode acelerar uma resolução da questão do desarmamento após "eliminar a influência iraniana" na região, já que, segundo a fonte, Teerã "há muito tempo" apoia financeiramente o Hamas.
Outra fonte, um funcionário palestino próximo aos esforços de mediação, afirmou que era esperado que o Hamas mantivesse conversas com mediadores egípcios, catarianos e turcos no dia em que a guerra começou, mas a reunião foi cancelada e ainda não foi marcada nova data.
Um representante do Hamas também confirmou que as conversas estão paralisadas, enquanto Israel não respondeu ao pedido de comentários da Reuters.
Escalada no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças em seu programa nuclear. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.

