O conflito no Oriente Médio resultou na alta do preço do petróleo, que superou os US$ 100 dólares (R$ 525) por barril pela primeira vez em quatro anos, afetando o mercado internacional. Contudo, a China parece não sofrer com as flutuações, segundo analistas do Oversea-Chinese Banking Corporation (OCBC) citados pela CNBC nesta segunda-feira (9).
A explicação por trás disso, deve-se ao fato de o gigante asiático ter "acumulado uma das maiores reservas estratégicas e comerciais de petróleo bruto do mundo", segundo os analistas.
Até janeiro de 2026, a China tinha reservas estimadas em 1,2 bilhão de barris de petróleo em terra firme. De acordo com o portal Oil Price, Pequim construiu esse enorme estoque de óleo em 2025, enquanto os preços se mantinham perto de US$ 60 (R$ 315) por barril.
O que foi armazenado representa reservas para três ou quatro meses, retardando assim o impacto econômico no país em decorrência do conflito, explicou à CNBC Rush Doshi, diretor da Iniciativa de Estratégia para a China no Conselho de Relações Exteriores (CFR, na sigla em inglês).
Fechamento de Ormuz
Além das reservas acumuladas, a China poderia ser menos afetada do que outros países asiáticos por um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, uma artéria marítima fundamental por onde circula um quinto do suprimento energético mundial.
Isso se deve ao fato de o gigante asiático ter diminuído, nas duas últimas décadas, a dependência dos fluxos marítimos de petróleo. Além disso, segundo disse Ting Lu, economista-chefe da Nomura, citado pelo veículo, os envios de petróleo bruto através do estreito representam apenas 6,6% do consumo energético total da China.
Somado a isso, Pequim diversificou suas fontes de energia. Os analistas do OCBC detalham que a "rápida transição para veículos elétricos e energias renováveis" na China "proporciona uma cobertura estrutural adicional".
Espera-se que, para 2030, a China aumente sua cota de combustíveis não fósseis no consumo energético total para 25%, em comparação com 21,7% em 2025.
« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »
Guerra no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.