A derrubada do regime do Irã por forças militares estrangeiras seria uma tarefa "hercúlea" e "sangrenta", com alto custo humano e impactos econômicos globais, afirmou o embaixador do Brasil no país, André Veras.
Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, nesta segunda-feira (9), o diplomata disse que ataques aéreos isolados não seriam suficientes para provocar uma mudança de regime e que uma eventual intervenção exigiria o envio de tropas terrestres.
Segundo Veras, o território extenso do Irã, o terreno montanhoso e a capacidade militar do país tornariam uma incursão estrangeira especialmente difícil. "Então, aqui, a coisa vai exigir um pouco mais de esforço se quiserem, realmente, derrubar o regime. E acho que será uma tarefa hercúlea. Sangrenta", afirmou.
O embaixador relatou que, 10 dias após os ataques aéreos iniciados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã, que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de centenas de civis, serviços básicos continuam funcionando e a população tenta manter a rotina.
Segundo ele, comércio e mercados seguem abertos, escolas adotaram aulas remotas e não há interrupções no fornecimento de água, luz ou gás, embora a gasolina esteja sendo racionada. O diplomata também destacou a rápida substituição de Khamenei por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, como sinal da resiliência institucional do país.
Veras acrescentou que não há, até o momento, discussão sobre retirada de brasileiros do Irã — onde vivem cerca de 200 pessoas — e afirmou que, apesar da escalada militar, ainda vê espaço para uma solução diplomática, já que a continuidade da guerra tende a elevar os custos para todos os envolvidos.
Escalada no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.