'Rússia alertou': Putin comenta crise do petróleo no mundo e fechamento do estreito de Ormuz

O presidente russo indicou que, devido à interrupção dos suprimentos de recursos energéticos no mundo, a inflação está aumentando.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira (9) que Moscou advertiu repetidamente que as tentativas de provocar instabilidade no Oriente Médio representariam um perigo para o sistema global de energia e combustíveis.

"A Rússia alertou em várias ocasiões que as tentativas de desestabilizar o Oriente Médio colocariam em risco inevitavelmente o complexo global de combustível e energia, aumentariam os preços do petróleo e do gás, limitariam o acesso a esses recursos em todo o mundo e afetariam os planos de investimento a longo prazo. E, ao que parece, é exatamente isso o que está acontecendo", sustentou Putin durante uma reunião sobre a situação do mercado mundial de petróleo e gás.

Neste contexto, o presidente russo enfatizou os impactos prejudiciais da atual crise sobre as cadeias produtivas internacionais e sobre a estrutura das relações econômicas mundiais. "Após a interrupção de suprimentos vêm outros problemas de caráter puramente econômico, e a inflação aumenta, assim como sofre a produção não apenas de petróleo e gás, mas também de bens industriais no país", explicou.

Na mesma linha, comentou que atualmente a rota ligada ao Estreito de Ormuz está praticamente fechada e que a produção de petróleo, que depende do uso da passagem, corre o risco de parar por completo "no próximo mês". Putin indicou que a extração petrolífera já apresenta sinais de desaceleração, com instalações de armazenamento na região acumulando combustível cuja exportação se tornou inviável ou excessivamente onerosa

"É evidente que a substituição completa dos suprimentos de petróleo do Oriente Médio sem utilizar o Estreito de Ormuz é atualmente irrealizável", disse.

«ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO»

Uma situação semelhante ocorreria no mercado global de gás, onde as entregas de GNL foram drasticamente reduzidas. O contexto atual, segundo a avaliação do presidente russo, intensifica a disputa entre países compradores pelo acesso a fornecedores, embora tenha ressaltado a tradição de confiabilidade das empresas russas do setor energético.

Por fim, o presidente sugeriu que a alteração na relação entre oferta e procura estabelecerá um novo patamar de preços mais estáveis, recomendando que "as companhias energéticas russas devem aproveitar este momento para utilizar suas receitas com o intuito de reduzir sua carga de dívida".

Agressão contra o Irã