O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (9) que Paris está preparando uma missão "estritamente defensiva" para reabrir o estreito de Ormuz, depois que a via marítima foi bloqueada pelo Irã em retaliação à agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o país.
Macron, em visita ao Chipre, também anunciou que a França contribuirá "a longo prazo" com "duas fragatas" para uma operação da União Europeia no Mar Vermelho, a operação ASPIDES, estabelecida em 2024 durante os ataques do movimento Houthi do Iêmen, estendida para fevereiro de 2027 diante da atual crise na região.
"A presença francesa será destacada a partir do Mediterrâneo Oriental, no Mar Vermelho e precisamente ao largo da costa de Ormuz", detalhou o presidente francês. Segundo ele, o país "mobilizará oito fragatas, dois porta-helicópteros anfíbios e o porta-aviões Charles de Gaulle, atualmente perto de Creta, na Grécia".
Vários países reduziram drasticamente sua produção de petróleo após o bloqueio, que barrou a passagem que liga o golfo Pérsico ao mar da Arábia e ao oceano Índico, um corredor vital por onde passa cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo.
«ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO»
Na semana passada, refinarias do Bahrein e do Catar optaram por reduzir suas taxas de processamento de petróleo ou pararam suas unidades devido às limitações logísticas. Similarmente, os Emirados Árabes Unidos também diminuíram sua produção. O Kuwait, por sua vez, anunciou uma "redução preventiva" na produção de petróleo e na capacidade de refino.
O primeiro país da região a ordenar a paralisação completa da produção foi o Iraque, que solicitou à autoridade responsável pelo campo de Rumaila, um dos maiores do mundo, reduzir em 100% a produção e o bombeamento a partir de 3 de março.
Na semana passada, a refinaria Ras Tanura, da Aramco, considerada uma das maiores do mundo, sofreu um novo ataque que atingiu a instalação. Após o primeiro ataque, as operações já haviam sido interrompidas por precaução, divulgou a imprensa.
Agressão contra o Irã
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças em seu programa nuclear. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.
- Até o momento, o número de mortes no país persa em decorrência da agressão militar dos EUA e de Israel ultrapassou 1.300 pessoas.
- Diversos países condenaram a agressão israelense-americana contra o Irã. Os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, respectivamente, descreveram os ataques contra o Irã como "inaceitáveis" em meio às negociações em curso entre Washington e Teerã.