O enviado especial da Presidência russa e diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, constatou em uma postagem na rede social X no sábado (7) que as consequências do conflito no Oriente Médio estão "apenas começando a reverberar" na economia global.
"Um grande choque inflacionário nos preços está apenas começando a repercutir em muitos setores, empresas e pessoas", escreveu Dmitriev em um post acompanhado de gráficos da S&P Global Energy.
As estatísticas mostram que, na semana em que o conflito estourou, foram registrados aumentos significativos nos preços dos setores de transporte marítimo, petróleo e gás. Os mercados de metais, fertilizantes e matérias-primas químicas também foram afetados.
Crise energética
O Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes do mundo, por onde transita aproximadamente um quinto do comércio mundial de petróleo, foi fechado nesta segunda-feira (2) pela Guarda Revolucionária do Irã.
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A medida provocou um aumento nos preços da energia e nos custos para as empresas de transporte cujos navios não podem mais passar pelo estreito. O preço do Brent atingiu na quinta-feira (5) um máximo de US$ 86,28 (cerca de R$ 452,46) por barril pela primeira vez desde junho de 2024.
Os preços do gás também dispararam em consequência do conflito. Na segunda-feira (2), os futuros do gás natural europeu subiram 52% como resultado da suspensão da produção de gás natural liquefeito (GNL) pela Qatar Energy em seu complexo de Ras Laffan, o maior do mundo, após um drone atacar um tanque de água em suas instalações.
Escalada do conflito no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã no sábado (28). Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças em seu programa nuclear. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o Líder Supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.