Ex-secretário de Relações Exteriores da Índia critica EUA por ataque a navio iraniano

"Atacar uma embarcação desarmada que retornava de exercícios navais liderados pela Índia coloca Nova Delhi em uma posição desconfortável", disse Kanwal Sibal à RT.

O ataque norte-americano a um navio iraniano, que retornava de um exercício naval sediado pela Índia, foi uma violação flagrante das normas marítimas internacionais, disse nesta sexta-feira (6) o ex-secretário de Relações Exteriores indiano Kanwal Sibal à RT.

Um submarino americano afundou a fragata da Marinha Iraniana IRIS Dena na segunda-feira (2), a 40 milhas náuticas da cidade de Galle, no sudoeste do Sri Lanka. Pelo menos 87 pessoas morreram no ataque. A Marinha e a Força Aérea do Sri Lanka, com assistência da Marinha Indiana, realizaram uma grande operação de resgate, salvando 32 marinheiros.

Atacar o navio desarmado que retornava do exercício naval no Oceano Índico foi "desnecessário", apontou Sibal.

"Eles [os EUA] sabiam que o navio estava lá. Eles tinham o avião capaz de vigilância. E então se posicionaram em um ponto para garantir que a fragata fosse afundada. Não é nada para se gabar", disse ele. "Se quisessem atacá-lo, poderiam ter feito isso quando estivesse perto do Irã, onde a guerra está ocorrendo", argumentou o ex-diplomata.

A Índia convidou uma série de países, incluindo os EUA e o Irã, para seu exercício naval bienal MILAN. A Marinha norte-americana participou dos treinamentos com uma aeronave de patrulha marítima e reconhecimento (MPRA) P-8A Poseidon de um esquadrão de patrulha, de acordo com um comunicado oficial.

Sibal detalhou que os navios não vêm armados para os exercícios. "Portanto, não é como se o navio iraniano estivesse armado até os dentes. É um pouco constrangedor para a Índia, já que fomos os anfitriões [dos exercícios navais]", declarou.

O ataque também desrespeitou as normas marítimas internacionais, as quais estipulam que, mesmo em um cenário de conflito, marinheiros em perigo devem ser resgatados do ponto de vista humanitário.

"Depois de ser atingido pelo torpedo, o submarino norte-americano atacou novamente para garantir que ele afundasse e que vidas fossem perdidas. E então eles publicaram na mídia internacional. Não creio que isso traga crédito aos EUA", apontou.