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'Dividir para conquistar': Rússia diz que ataque ao Irã busca ruptura do Oriente Médio

Sergey Lavrov afirmou que a ofensiva contra Teerã buscou estimular tensões entre Irã e países árabes e apontou que políticos dos EUA divergem sobre o objetivo da operação.
'Dividir para conquistar': Rússia diz que ataque ao Irã busca ruptura do Oriente MédioGettyimages.ru / Sefa Karacan/Anadolu

O chanceler russo, Sergey Lavrov, declarou nesta quinta-feira (5) que uma das metas da agressão conjunta dos EUA e de Israel contra o Irã foi semear a divisão entre Teerã e os países do Oriente Médio, seguindo o princípio de "dividir para conquistar".

O chefe da diplomacia russa observou que, atualmente, "muitos discutem sobre esses objetivos, e também nos EUA muitos políticos não conseguem entender qual é exatamente o objetivo desta operação" contra a República Islâmica.

Lavrov lembrou que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que matou o aiatolá Ali Khamenei antes que este o matasse.

"O presidente Trump declarou publicamente: 'Eliminamos o aiatolá Khamenei porque, caso contrário, ele teria me eliminado'", pontuou o chanceler, ressaltando que, "algumas horas mais tarde", um de seus ministros afirmou que os EUA não participaram da operação que matou o líder iraniano.

'Dividir para conquistar'

"Não tenho dúvida alguma, e quero reiterar, de que um dos objetivos foi provocar uma ruptura entre os países do Golfo Pérsico, o Irã e seus vizinhos árabes, entre os quais, nos últimos anos, até pouco tempo atrás, observava-se um processo positivo de normalização", disse o chanceler russo.

Lavrov indicou que a agressão dos EUA e de Israel contra o país persa demonstrou que "o Ocidente atua segundo o princípio de: 'Ou você está conosco, ou está contra nós'".

"E o principal em tudo isso, é claro, é 'dividir para conquistar'. Neste caso, provavelmente poderíamos dizer: 'divida-os, incite-os uns contra os outros e conquistará'", concluiu.

Conflito no Oriente Médio

  • Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
  • Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu o direito de desenvolver um programa de forma pacífica.
  • Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
  • Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.