O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirmou nesta quinta-feira (5) que a estratégia militar dos EUA fracassou e alertou que qualquer nova tentativa terá resultado ainda pior.
Em mensagem direcionada ao presidente dos EUA, Donald Trump, Araghchi disse que "o plano A para uma vitória militar rápida e limpa fracassou" e que qualquer alternativa promovida por Washington como plano B "será um fracasso ainda maior".
Em publicação na rede social X, o chefe da diplomacia iraniana sustentou que "a oportunidade de um acordo único se esvaiu depois que o grupo do 'EUA em primeiro lugar' obscureceu o 'progresso significativo' que alcançamos nas negociações".
Por fim, o chanceler criticou a influência de Israel na política externa dos Estados Unidos. "Israel primeiro sempre significa os EUA em último", escreveu, sugerindo que os interesses israelenses condicionam as decisões de Washington no conflito com Teerã.
Paralelamente a essa mensagem, concedeu entrevista à rede americana NBC News diretamente de Teerã. O chefe da diplomacia iraniana afirmou que seu país está preparado para uma possível escalada na guerra e que poderia enfrentar inclusive uma incursão terrestre dos Estados Unidos.
Questionado se teme este cenário, ele disparou: "não, estamos esperando por eles. Temos certeza de que podemos enfrentá-los, e isso seria um grande desastre para eles", acrescentou.
O chanceler também descartou qualquer negociação com o país norte-americano no contexto atual do conflito e afirmou que Teerã não solicitou um cessar-fogo.
Segundo ele, as experiências recentes de diálogo com Washington foram negativas, inclusive durante o atual mandato de Donald Trump. "Negociamos duas vezes no ano passado e este ano e, em meio às negociações, fomos atacados", afirmou, ao questionar a boa-fé da Casa Branca.
Conflito no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã em 28 de fevereiro. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças em seu programa nuclear. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.