O Ocidente age no Oriente Médio de acordo com o princípio de "dividir, fazer os outros guerrearem, e conquistar", declarou nesta quinta-feira (5) o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov.
O chefe da diplomacia russa destacou que Moscou, durante mais de 20 anos, tentou "mobilizar apoio ao desenvolvimento de um entendimento de segurança para a região do Golfo Pérsico" a fim de garantir "transparência, confiança e medidas concretas para utilizar esta rica região em benefício da prosperidade dos povos dos países envolvidos". No entanto, este conceito ainda não foi implementado, pois os países ocidentais "fizeram de tudo para impedir o avanço de uma agenda positiva" na zona, indicou.
O ministro das Relações Exteriores destacou que, como demonstrado pela agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, o Ocidente opera no Oriente Médio segundo o princípio de "ou está conosco ou está contra nós". "E a chave de tudo isso, é claro, é 'dividir para conquistar'. Neste caso, provavelmente se poderia dizer: 'Dividir, fazer os outros guerrearem, e conquistar'", observou.
O chanceler russo também lamentou que "amigos próximos" e "parceiros estratégicos" da Rússia estejam sofrendo as consequências das ações agressivas de Washington e Tel Aviv. "Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar a criar um ambiente que torne essa operação [dos EUA e de Israel] completamente impossível juntamente com outros membros da comunidade mundial amantes da paz, incluindo o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Assembleia Geral", concluiu.
Escalada do conflito no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã no sábado (28). Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças em no programa nuclear iraniano. Por sua vez, o Irã sempre defendeu o direito de desenvolver um programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.