O Partido Democrático do Curdistão negou os rumores de que grupos curdos estariam se preparando para uma ofensiva terrestre contra o Irã, segundo comunicado da Escola Política do Partido Democrático do Curdistão (PDK), publicado nesta quinta-feira (5) na imprensa curda.
"A região do Curdistão não faz parte desta guerra que está sendo travada na região", diz o comunicado do partido. O PDK também destacou que o Iraque em geral e a região do Curdistão em particular "devem se manter afastados dos conflitos e da participação na guerra".
De acordo com o partido, os ataques que ocorreram na cidade de Erbil, no Curdistão iraquiano: "O governo federal [do Iraque] deve cumprir seu dever constitucional e impedir que milícias e grupos armados ilegais ataquem a região do Curdistão", afirmou o partido.
Os relatos também foram desmentidos pelo Partido Democrático do Curdistão Iraniano (PDKI). "Nenhuma de nossas forças entrou no território do Curdistão Oriental. Essas informações jornalísticas pretendem criar divisões dentro da coalizão de forças do Curdistão Oriental e são falsas", declarou um membro da formação ao Rudaw.
Relatórios
Anteriormente, a Associated Press afirmou que grupos dissidentes curdos iranianos baseados no norte do Iraque estariam se preparando para uma possível operação militar transfronteiriça no Irã.
Ao mesmo tempo, a CNN informou nesta quarta-feira (4), citando fontes, que a CIA está trabalhando para armar as forças curdas com o objetivo de promover uma revolta popular no Irã.
O portal Axios havia informado que Trump conversou ao telefone com os líderes curdos no domingo (1). De acordo com o portal, essas ligações teriam sido resultado de meses de lobby por parte de Israel, que estava estabelecendo relações com os curdos.
O Telegraph considera que a participação dos curdos poderia provocar uma guerra civil no Irã.
Grupos curdos
Os grupos armados curdos iranianos contam com milhares de combatentes que operam ao longo da fronteira entre o Iraque e o Irã, principalmente na região do Curdistão iraquiano.
Vários desses grupos emitiram comunicados públicos desde o início da guerra, nos quais insinuam uma ação iminente e instam as forças militares iranianas a desertar.
Em janeiro, um dos grupos entrou em confrontos com a Guarda Revolucionária iraniana no contexto dos protestos de janeiro no Irã, embora os líderes curdos afirmem que ainda não foi decidido participar na luta armada contra Teerã.
Escalada do conflito no Oriente Médio
- Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã no sábado (28). Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo em mudanças em seu programa nuclear. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o Líder Supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.
Em resposta, o Irã lançou várias ondas de mísseis balísticos contra Israel, bem como contra bases americanas localizadas em países do Oriente Médio.