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Empresa de inteligência marítima divulga relatório das primeiras horas do conflito EUA-Israel contra Irã

Os bombardeios transformaram o Estreito de Ormuz – responsável por cerca de 20% das exportações globais de petróleo – em zona de conflito ativo, levando transportadoras a adotar medidas de contingência.
Empresa de inteligência marítima divulga relatório das primeiras horas do conflito EUA-Israel contra IrãCapura de tela / MarineTraffic

A empresa israelense de inteligência marítima Windward publicou neste domingo (1º) um relatório sobre as primeiras reações operacionais à escalada no Oriente Médio, iniciada pela operação coordenada entre Washington e Tel Aviv contra o Irã no sábado (28).

A ofensiva americano-israelense atingiu instalações da Guarda Revolucionária, sistemas de defesa aérea e bases de lançamento de mísseis iranianas. O Irã respondeu imediatamente com ataques contra Israel e bases norte-americanas em países do Golfo, como Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Os bombardeios transformaram o Estreito de Ormuz – responsável por cerca de 20% das exportações globais de petróleo – em zona de conflito ativo.

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Segundo a Windward, pelo menos uma dúzia de navios-tanque com destino a portos do Golfo Pérsico reverteram curso ou pausaram no Golfo de Omã, evitando o trânsito pelo Estreito de Ormuz. Embarcações com bandeira ou propriedade ocidental apresentaram uma participação desproporcional no número dos navios que mudaram de rota. O impacto se estendeu ao tráfego através de Bab el-Mandeb – estreito entre Iêmen e Djibuti, na entrada do Mar Vermelho –, que registrou redução após o início do conflito, com grandes operadoras de contêineres ativando rotas alternativas.

A empresa indica que as manobras afetarão custos nas cadeias globais de suprimentos, indicando que a sustentabilidade de outras passagens, diante de um cenário de prolongamento do conflito, será definido pelo impacto do valor de prêmios de risco — uma compensação demandada por transportadoras para executar operações mais arriscadas.

Apesar da elevada ameaça, a densidade de embarcações permanece alta na região.

Impacto informacional

A Guarda Revolucionária do Irã, após a decretação do fechamento do Estreito de Ormuz no sábado, realizou ataque diretos a embarcações que teriam furado seu bloqueio, apesar dos relatórios iniciais apontarem para a continuidade do tráfego na passagem. Até o momento, quatro petroleiros foram reportados como alvos atingidos pelo Irã, em um contexto de reforço ofensivo do bloqueio decretado.

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Neste domingo, mais de 450 embarcações operavam em velocidade reduzida ou à deriva no Golfo de Omã, indicando padrões de espera ou cautela elevada.

Dados mostram operadores comerciais transmitindo mensagens defensivas como "APENAS MUÇULMANOS A BORDO", "SOMENTE CHINESES" e "SEM LIGAÇÃO COM ISRAEL" nos campos de destino, sinalizando neutralidade para reduzir o risco de ataque.

A empresa detectou que o número de embarcações operando com transponders desligados – dispositivos eletrônicos de identificação naval – durante a primeira noite da escalada mais do que triplicou, principalmente em águas de Omã e Emirados Árabes. A informação, junto a dimensão reativa dos sinais defensivos, sugere que muitas embarcações estão fazendo manobras para dissimular informações de identidade de suas filiações e destinos.

Mais de mil navios foram afetados por interferência GPS nas primeiras 24 horas, com sinais AIS (Sistema de Identificação Automática) desviados para aeroportos dos Emirados, usina nuclear de Barakah e locais no interior do Irã. Foram identificados 21 novos focos de interferência eletrônica no período.

O levantamento da empresa, contudo, identifica que a interferência eletrônica e ocultação de dados de identidade e localização degradou severamente a visibilidade de informações na região. Os sistemas de GPS afetados ou inacessíveis na região impactam simultaneamente a navegação destas embarcações e os sistemas de monitoramento e conformidade, dificultando uma análise previsível e acessível da situação integralmente.

Escalada no Oriente Médio

  • Israel lançou um ataque massivo contra o Irã neste sábado (28), alegando a necessidade de "eliminar as ameaças ao Estado" de Israel. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
  • Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo para que altere seu programa nuclear. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
  • Durante a operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, o Líder Supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei , foi morto, assim comoaltos oficiais do governo iraniano.