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Tensão no Estreito de Ormuz eleva incerteza sobre petróleo; preços podem disparar

Ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pressionou mercados, encareceu o barril do recurso natural e gerou dúvidas sobre o trânsito marítimo na principal rota energética do mundo, controlada por Teerã.
Tensão no Estreito de Ormuz eleva incerteza sobre petróleo; preços podem dispararGettyimages.ru / Press Office of Islamic Revolutionary Guard Corps/Handout/Anadolu

A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã criou certa tensão nos mercados internacionais de energia e ampliou a incerteza sobre o fornecimento de petróleo e gás, tendo em vista a crise sobre o futuro do Estreito de Ormuz, uma rota considerada estratégica para o comércio.

Francisco Guaita, correspondente da RT em Madrid, na Espanha, destacou que o Irã produz 3,1 milhões de barris por dia, cerca de 3% do consumo global diário.

O país controla o Estreito, por onde passam aproximadamente 21 milhões de barris diários — o equivalente a um em cada cinco barris transportados no mundo. Segundo a reportagem, 40% desse volume tem origem na Arábia Saudita, com a China entre os principais destinos.

Um alto funcionário do Conselho de Coordenação Econômica do Irã, Mohsen Rezai, afirmou à imprensa local no sábado (28) que "pelo Estreito de Ormuz e pelo Golfo Pérsico não vai passar nenhum navio americano".

Ao mesmo tempo, segundo o Financial Times, a mesma autoridade declarou que petroleiros seguem atravessando o estreito "sem nenhum tipo de problema até o momento", o que criou muita incerteza sobre as possíveis restrições.

Cerca de 150 petroleiros aguardam autorização para atravessar a região. Neste domingo (1º), um navio petroleiro com bandeira de Palau foi bombardeado a cinco milhas da costa de Omã, deixando ao menos quatro feridos.

Diversas companhias marítimas suspenderam o trânsito de petroleiros pelo Estreitosegundo o jornal britânico The Telegraph. A alemã Hapag-Lloyd informou que a medida vale "até novo aviso" e alertou para "atrasos, desvios e ajustes de calendário", afirmando acompanhar "de perto" a situação. A francesa CMA CGM interrompeu a passagem pelo Canal de Suez, a japonesa Nippon Yusen orientou sua frota a evitar Ormuz e a dinamarquesa Maersk redirecionou contêineres pelo trajeto mais longo ao redor da África.

Países exportadores de petróleo, entre eles Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã, Argélia e Cazaquistão, realizaram reunião virtual e anunciaram um ajuste superior a 200 mil barris por dia, com o objetivo de consolidar a estabilidade do mercado energético.

Preços sob pressão

Em entrevista à RT, o especialista em geopolítica petrolífera Miguel Jaimes afirmou que o congelamento do trânsito no Estreito de Ormuz leva os preços do petróleo a "três dígitos". Segundo ele, o Brent passou de 72 para 73,50 dólares (R$ 377,14), enquanto o West Texas Intermediate subiu de 64 para 67 dólares (R$ 343,78).

"O preço do petróleo vai passar os 100 dólares [R$ 513,11]", declarou Jaimes, ao comparar o cenário atual com o início do conflito na Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando o barril atingiu 135 dólares (R$ 692,70).

O especialista também afirmou que o governo dos Estados Unidos recomendou que embarcações comerciais americanas evitem se aproximar do Golfo Pérsico. Para ele, o conflito compromete o "trânsito oportuno, eficaz e imediato" das rotas marítimas e provoca desaceleração econômica global.

Escalada no Oriente Médio

  • Israel lançou um ataque massivo contra o Irã no sábado (28), alegando a necessidade de "eliminar as ameaças ao Estado" de Israel. Explosões ocorreram em diversas áreas de Teerã e houve relatos de impactos de mísseis. Posteriormente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou o envolvimento do país na ofensiva: "Bombas cairão por toda parte".
  • Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo para que altere seu programa nuclear. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
  • Durante a operação conjunta entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, o Líder Supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei , foi morto, assim como altos oficiais do governo iraniano.