A Rússia denuncia a natureza sequencial dos ataques desestabilizadores perpetrados pela administração dos EUA nos últimos meses "contra os pilares jurídicos internacionais da ordem mundial" e condena a agressão de Israel e os Estados Unidos contra o Irã.
A Ministério das Relações Exteriores russo classificou as ações de Washington e Tel Aviv como um "ato de agressão armada, planejado de antemão e não provocado" contra um Estado soberano, independente e membro da ONU "em violação dos princípios e normas fundamentais do direito internacional".
"A natureza sistemática dos golpes desestabilizadores que o governo dos EUA vem desferindo nos últimos meses contra os pilares jurídicos internacionais da ordem mundial é particularmente preocupante, incluindo a não interferência em assuntos internos, a rejeição da ameaça ou do uso da força e a resolução pacífica de disputas internacionais", diz o comunicado divulgado neste sábado (28).
A chancelaria russa pediu a EUA e Israel que retornarem "imediatamente" a situação "ao caminho de uma solução política e diplomática" e enfatizou que a Rússia está pronta para contribuir para a busca de meios pacíficos baseados no direito internacional, no respeito mútuo e no equilíbrio de interesses para reduzir as tensões entre as partes.
"Uma aventura perigosa"
O ministério denunciou que "Washington e Tel Aviv embarcaram mais uma vez em uma aventura perigosa que está rapidamente aproximando a região de uma catástrofe humanitária, econômica e, muito possivelmente, radiológica".
"As intenções dos agressores são claras e foram declaradas abertamente: destruir a ordem constitucional e eliminar a liderança de um Estado indesejável que se recusou a submeter-se aos ditames da força e da hegemonia", pontuou.
"A responsabilidade pelas consequências negativas desta crise provocada pelo homem, incluindo uma reação em cadeia imprevisível e uma espiral de violência, recai inteiramente sobre eles [Israel e EUA]", afirmou a nota.
A chancelaria condenou o fato de que "as graves consequências destas medidas imprudentes para o regime global de não proliferação, cuja pedra angular é o Tratado de Não Proliferação Nuclear, estão sendo abertamente ignoradas".
Na madrugada de sexta para este sábado, o Ministério da Defesa de Israel anunciou o lançamento de um ataque "preventivo" contra a República Islâmica.
Mais tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que as forças de Washington se juntaram ao ataque contra o Irã.
- Os ataques ocorrem após reiteradas ameaças de Washington e Tel Aviv de intervir no país, insistindo para que altere seu programa nuclear. Por sua vez, o Irã sempre defendeu seu direito de desenvolver seu programa de forma pacífica.
- O Irã tem reiteradamente alertado que está preparado para responder com golpes "pesados" a qualquer "erro estratégico" dos EUA. Além disso, enfatizou que uma paralisação completa do enriquecimento de urânio é "absolutamente inaceitável".
- Além disso, na sexta-feira (27), véspera do ataque, o presidente dos EUA, Donald Trump declarou estar insatisfeito com as negociações que seu país mantinha com o Irã. "Eles precisam dizer: 'Não vamos desenvolver armas nucleares'", afirmou Trump. Enquanto isso, o Irã tem reiteradamente declarado que não tem intenção de desenvolver armas nucleares.
Resposta do Irã
Teerã havia expressado a disposição de manter um "diálogo baseado no respeito e em interesses mútuos", mas alertou que qualquer ação militar contra o país "será considerada o início de uma guerra", afirmando que suas forças armadas estavam "prontas, com o dedo no gatilho, para responder imediata e decisivamente a qualquer agressão".
«O QUE É A GUARDA REVOLUCIONÁRIA IRANIANA, O CORPO DE ELITE E INIMIGO JURADO DE ISRAEL?»
O comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, Mohammad Pakpour, advertiu os EUA e Israel de que suas forças estavam preparadas para responder a provocações. Segundo ele, as tropas "estão mais preparadas do que nunca, prontas para cumprir as ordens e diretrizes do comandante-em-chefe, um líder mais amado do que suas próprias vidas", referindo-se ao aiatolá Ali Khamenei.
Outro oficial militar iraniano de alta patente, Ali Abdollahi, afirmou que, se a Casa Branca optar por atacar seu país, "todos os interesses, bases e centros de influência americanos" seriam "alvos legítimos" para as Forças Armadas iranianas.