Os responsáveis pelo espólio do falecido agressor sexual Jeffrey Epstein concordaram em pagar até US$ 35 milhões (R$ 181 milhões) para encerrar uma ação coletiva, de acordo com um documento judicial protocolado nesta sexta-feira (20) ao qual o The Guardian teve acesso.
O processo acusava dois assessores do financista de serem cúmplices e de facilitar o tráfico sexual de mulheres jovens e adolescentes.
A ação foi inicialmente aberta em 2024 contra Darren Indyke e Richard Kahn, que serviram por anos como advogado pessoal e contador de Epstein, respectivamente.
O escritório Boies Schiller Flexner, que representa as supostas vítimas de Epstein, anunciou o acordo em um registro no tribunal federal de Manhattan. Sob os termos da proposta, o espólio de Epstein também seria incluído como réu no caso.
O acordo, firmado com Indyke e Kahn, visa resolver "de forma definitiva e permanente" as reivindicações de vítimas que afirmam ter sido "agredidas sexualmente, abusadas ou traficadas por Jeffrey Epstein entre 1º de janeiro de 1995 e 10 de agosto de 2019", data de sua morte na prisão.
Indyke e Kahn, que não foram acusados de abusar de mulheres ou de testemunhar tais abusos, negaram qualquer responsabilidade perante as vítimas de Epstein e aceitaram os termos do acordo sem admitir culpa.
"Como não fizeram nada de errado, os coautores estavam preparados para contestar as alegações contra eles em julgamento, mas concordaram em mediar e encerrar este processo para obter uma resolução definitiva quanto a quaisquer possíveis reivindicações contra o Espólio de Epstein", afirmou o advogado deles, Daniel H. Weiner, segundo o Guardian.
Acordo requer aprovação de juiz
O acordo proposto, que requer a aprovação de um juiz federal em Nova York para se tornar definitivo, prevê um pagamento total de US$ 35 milhões (R$ 181 milhões) para o grupo, ou US$ 25 milhões (R$ 129 milhões) caso menos de 40 vítimas aderirem ao processo.
Este pagamento ocorre após uma distribuição anterior de US$ 121 milhões (R$ 626 milhões) para 136 requerentes através do Programa de Compensação às Vítimas de Epstein, além de um acordo subsequente de US$ 48 milhões (R$ 248 milhões), que cobriu 59 vítimas.
A divulgação dos arquivos de Epstein desencadeou uma onda de renúncias ao redor do mundo. O impacto foi mais forte no Reino Unido, onde três altos funcionários do governo do primeiro-ministro Keir Starmer deixaram seus cargos e Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles, perdeu seus títulos.