
Maduro será representado pelo advogado que defendeu Assange

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, será representado em seus processos judiciais nos EUA por Barry Pollack, advogado que defendeu o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, revelou a CBS News nesta segunda-feira (5), citando um documento oficial.
Pollack é afiliado ao escritório Harris St. Laurent & Wechsler LLP. Pollack ajudou a negociar o acordo judicial que levou Assange a se declarar culpado, em 2024, de uma única acusação de conspiração para obter e divulgar informações de defesa nacional.

Enquanto isso, Cilia Flores, esposa de Maduro, será representada por Mark Donnelly, do escritório Parker Sanchez and Donnelly.
Donnelly é especializado em crimes de colarinho branco. Ele trabalhou por mais de uma década no Departamento de Justiça dos Estados Unidos, inclusive como consultor sênior do Procurador para o Distrito Sul do Texas e como chefe da divisão de fraudes do escritório.
A audiência
Maduro comparecerá pela primeira vez ao Tribunal Distrital do Sul dos EUA, em Nova York, nesta segunda, após ter sido sequestrado junto com Flores em Caracas no último sábado (3).
O governo dos EUA acusa o presidente de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para possuir essas armas em apoio a atividades criminosas. Sumariamente, ele é acusado de liderar o suposto Cartel dos Sóis.
O presidente e a primeira-dama da Venezuela também enfrentam acusações de colaboração com organizações criminosas classificadas como "terroristas" nos EUA, incluindo cartéis mexicanos. Essas e outras acusações acarretam penas que variam de 20 anos à prisão perpétua.
A gravíssima agressão militar
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela no último sábado (3), orquestrando uma operação que, segundo o governo venezuelano, atingiu a capital, Caracas, e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando vítimas fatais militares e civis. Caracas classificou a operação como uma "gravíssima agressão militar".
- O governo da Venezuela denunciou o ataque como uma "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas, que consagra o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Caracas enfatizou que não há provas que liguem Maduro ao narcotráfico e alertou que o único interesse dos EUA é o petróleo venezuelano — justificativa confirmada por Trump, que anunciou que seu governo está "no comando" da Venezuela e que explorará o valioso recurso natural.
O presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram transferidos para os Estados Unidos e estão atualmente detidos em Nova York, à espera de julgamento por "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos".
Diversos países ao redor do mundo, entre eles a Rússia, provocaram os Estados Unidos à libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou repudiou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer tipo de intervenção externa.
Horas após o ataque contra a Venezuela, Trump advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam ser os próximos alvos de Washington.
Após a detenção do presidente Nicolás Maduro, qualificada pelas autoridades de Caracas como um "sequestro", o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como presidente encarregada.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, enviou uma mensagem "ao mundo e aos EUA", na qual reiterou a "vocação pela paz" de seu país, ressaltou a necessidade de respeitar o princípio da "não interferência". Ela destacou a necessidade de trabalhar com Washington "em uma agenda conjunta de cooperação voltada para o desenvolvimento compartilhado, no âmbito da legalidade internacional e que fortaleça uma coexistência comunitária duradoura".

