A China apresentou seu novo míssil de defesa antiaérea HQ-29 durante o desfile de setembro passado, em comemoração ao Dia da Vitória, que marcou o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa.
Segundo análise de especialistas, o HQ-29 seria capaz de interceptar alvos inimigos mesmo fora da atmosfera terrestre, relatou na segunda-feira (17) o South China Morning Post.
Após 15 anos de testes, o sistema, também conhecido como Red Flag-29, estaria capacitado para competir com os sistemas mais sofisticados do mundo. Entre seus principais objetivos está a interceptação de mísseis balísticos intercontinentais a mais de 100 quilômetros de altitude.
Características do sistema
Segundo a publicação, citando a revista militar chinesa 'Ordnance Science and Technology', o sistema dispõe de características que representam vantagens estratégicas desafiadoras contra mísseis que voam em altas altitudes.
A capacidade de interceptação em alturas de, ao menos, 500 quilômetros, possibilita que o sistema preveja mais facilmente a trajetória de um míssil durante seu voo atmosférico, facilitando a colisão e permitindo reduzir os danos causados pelos destroços. Outras características foram descritas, ademais:
- Montado sobre um lançador móvel de seis eixos
- Integra um sistema equipado com dois tubos de lançamento de aproximadamente 1,3 metros de diâmetro
- Capaz de transportar dois mísseis interceptores de 10,5 metros de comprimento e 1,2 metro de diâmetro
Comparação com mísseis dos EUA
Especialistas afirmam que o HQ-29 é comparável em características aos mísseis SM-3 de lançamento marítimo e ao interceptador terrestre baseado em silos (GBI), dois sistemas de interceptação utilizados pelos Estados Unidos.
Embora o GBI americano possua maior alcance e altitude de interceptação, seu tamanho impede que seja lançado a partir de lançadores móveis, capacidade que o HQ-29 já demonstrou executar sem dificuldades.
Além disso, a revista destaca a superioridade do HQ-29 em custos de produção. Enquanto um único GBI custa aproximadamente 150 milhões de dólares (cerca de R$ 800 milhões), a China poderia criar uma ampla rede destes mísseis com o mesmo orçamento.
Por outro lado, acredita-se que o HQ-29 seja semelhante ao SM-3 americano em suas capacidades anti-satélite em órbita terrestre baixa, primariamente associado a sistemas de comunicação e geolocalização essenciais a atividades militares.
Segundo os relatórios, o HQ-29 emprega tecnologia que utiliza energia cinética ao invés de ogivas em sua capacidade destrutiva. Especialistas indicam que esta tecnologia proporciona ao míssil um controle e eficácia de interceptação sem precedentes.