China planeja criar porta-aviões nuclear com tecnologia que 'revolucionará' a Marinha

O projeto inclui tecnologia de canhão eletromagnético cujo desenvolvimento foi abandonado pelos Estados Unidos após um gasto de US$ 500 milhões ao longo de 15 anos sem resultados concretos.

A China revelou planos para construir um porta-aviões de propulsão nuclear de próxima geração equipado com armas laser de alta energia e canhões eletromagnéticos, tecnologia que os Estados Unidos abandonaram após anos de investimentos fracassados.

O anúncio foi feito por Liang Fang, professor da Universidade Nacional de Defesa de Pequim, durante programa da televisão estatal CCTV, informou recentemente o South China Morning Post.

As declarações não são inéditas e reproduzem a sinalização de oficiais do governo chinês. O contra-almirante Ma Weiming, um dos principais cientistas navais chineses, revelou em 2023 um projeto similar, prevendo que tal embarcação "revolucionará completamente as formações de combate navais vigentes há mais de 100 anos".

propulsão nuclear de embarcações não é uma mera previsão, mas uma realidade presente em marinhas ao redor do mundo, utilizada também pelas frotas americanas, por exemplo. A novidade do projeto apresentado por Weiming e reiterado por Fang é a integração de capacidades de combate à arquitetura elétrica dos porta-aviões, usualmente projetados para prover suporte aéreo em operações navais.

Da ficção científica à realidade

O referido canhão é projetado para utilizar eletromagnetismo para acelerar projéteis a velocidades hipersônicas (acima de Mach 5), prometendo maior alcance e poder de fogo do que seria possível com propulsão a pólvora.

A Marinha dos EUA também investiu em potencial semelhante para armas eletromagnéticas, gastando mais de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bi em valores atuais) no desenvolvimento da tecnologia.

Entretanto, o projeto de mais de 15 anos foi encerrado no final de 2021, quando um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos confirmou a retirada do financiamento diante de constrições fiscais e baixo desempenho dos testes.