
'Não se muda por decreto': Marina Silva defende lucro do petróleo para financiar energias limpas

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reconheceu em entrevista ao jornal O Globo nesta segunda-feira (10) que a transição energética mundial apresenta contradições, mas o uso de combustíveis fósseis segue sendo uma realidade global.

Comentando a autorização da Petrobras para exploração de petróleo na Margem Equatorial, ela disse que não é possível "abandonar combustíveis fósseis por decreto", citando risco de "um colapso energético global". Segundo ela, "o presidente tem dito que a Petrobras precisa deixar de ser uma empresa de exploração de petróleo e se transformar urgentemente numa empresa de produção de energia", e parte dos lucros do petróleo deve financiar energias renováveis, como hidrogênio verde, eólica e solar.
A ministra criticou ainda a aprovação de benefícios a termelétricas a carvão pelo Senado, considerando a medida regressiva e contrária aos esforços climáticos nacionais e internacionais.
COP30
A entrevista foi dada no contexto da COP30, em Belém. Marina destacou a redução do desmatamento pelo terceiro ano consecutivo, a queda de 50% nos incêndios florestais e a operacionalização do TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), que já conta com US$ 6 bilhões, reforçando a necessidade de solidariedade global mesmo diante do boicote dos EUA.
