Suspeitos confessam massacre que matou 149 em casa de shows de Moscou

A tragédia, a pior desde os anos 2000 na Rússia, expôs vínculos com grupo jihadista e tentativa de desestabilizar o país.

Quatro homens acusados do ataque à casa de espetáculos Crocus City Hall, em Moscou, que deixou 149 mortos em março de 2024, se declararam culpados na primeira audiência fechada do julgamento, segundo a imprensa local.

Conforme informou Lyudmila Aivar, advogada das famílias das vítimas, os réus Shamsidin Fariduni, Dalerdzhon Mirzoev, Muhammadsobir Fayzov e Saidakrami Murodali Rachabalizoda "admitiram sua culpa pelo que fizeram e pediram perdão às vítimas".

Fariduni e Mirzoev assumiram total responsabilidade pelo ataque, já Rachabalizoda admitiu integrar uma organização terrorista, mas negou envolvimento direto na ação.

Ainda de acordo com Aivar, Fayzov disse que "certos indivíduos supostamente se aproveitaram de sua juventude [e] o envolveram e enganaram, visto que ele tinha outros planos de vida". A advogada afirmou que oito dos 15 suspeitos de envolvimento reconheceram parcialmente a culpa, enquanto os outros sete negaram todas as acusações.

O caso

O ataque é considerado o mais grave na Rússia desde o início dos anos 2000. Aconteceu em 22 de março de 2024, quando homens armados invadiram o Crocus antes de um show e abriram fogo contra o público. Ao todo, 149 pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas.

Quatro suspeitos de participação direta no atentado foram presos poucas horas depois pelos serviços de segurança russos.

A autoria do ataque foi reivindicada pelo Estado Islâmico da Província de Khorasan (ISIS-K), braço regional do Estado Islâmico* com atuação na Ásia Central.

O regime de Kiev negou envolvimento no atentado.

Em junho, o Comitê Investigativo da Rússia concluiu que o objetivo do ataque era desestabilizar o país em benefício do regime ucraniano.

* declarado um grupo terrorista e proibido na Rússia.