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Para diminuir inflação na Argentina, Milei rifa direitos básicos da população

Com inflação em 1,6%, a menor desde 2020, o governo implementa rigorosos ajustes fiscais que impactam saúde, educação e renda, enquanto metodologia do índice de preços é alvo de críticas.
Para diminuir inflação na Argentina, Milei rifa direitos básicos da populaçãoGettyimages.ru / Simona Granati - Corbis/Corbis

Para cumprir a promessa feita em campanha eleitoral de reduzir a inflação, o presidente da Argentina, Javier Milei, rifou direitos básicos da população e promoveu cortes profundos em setores essenciais como saúde, educação, assistência social e infraestrutura. As medidas foram adotadas com o objetivo de alcançar o superávit fiscal, conforme destacou o Sunday Times.

A inflação atualmente está em 1,6%, índice mais baixo desde abril de 2020, segundo o Financial Times.

Como consequência, a Argentina apresenta hoje alguns dos salários mais baixos da América Latina, o que compromete significativamente o poder de compra da população.

Segundo dados do Numbeo (2024), o custo de vida na Argentina é 38% maior do que no Brasil, colocando o país entre os mais caros da América do Sul. Apesar disso, conforme o site Remote People, o salário médio argentino gira em torno de US$ 570, enquanto o salário mínimo — reajustado em março de 2025 para aproximadamente US$ 275 — está entre os cinco mais baixos da região.

No entanto, conforme informações do site Remote People, o salário médio argentino gira em torno de 474 dólares, enquanto o salário mínimo — reajustado em março de 2025 para aproximadamente US$ 275está entre os cinco mais baixos da América Latina.

Esse descompasso entre renda e preços internos reduz a capacidade de consumo e amplia as dificuldades econômicas enfrentadas por grande parte da população argentina.

A metodologia usada para o cálculo da inflação no país tem sido amplamente questionada. Segundo diversos analistas consultados pela Al Jazeera, a cesta de bens e serviços que compõe o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — elaborada em 2004 e revisada em 2016 — não reflete adequadamente as mudanças nos padrões de consumo da população.

Segundo a publicação, um dos principais pontos de distorção refere-se à função habitação, cujo peso relativo no índice tem aumentado significativamente, especialmente na Área Metropolitana de Buenos Aires, onde a proporção de domicílios ocupados por locatários é elevada.

Em junho, os gastos com moradia registraram alta de 4,5%. De acordo com levantamento realizado em setembro pela organização Inquilinos Agrupados — que monitora o mercado locatício semestralmente — os aluguéis comprometem, em média, 44,5% da renda dos inquilinos, evidenciando a crescente pressão sobre os orçamentos familiares.