
Acordo entre EUA e Japão ameaça entrada da carne brasileira no mercado japonês

O acordo comercial entre Estados Unidos e Japão pode dificultar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado japonês, apesar das articulações diplomáticas lideradas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reportou a Folha de São Paulo na quinta-feira.
Uma autoridade brasileira em Washington avaliou que o pacto reforça a presença americana, que, junto com a Austrália, responde por cerca de 70% das importações japonesas do setor.
Lula visitou Tóquio em março, tendo como um dos objetivos promover a abertura do mercado japonês à carne brasileira — pleito que remonta a 2005. Como parte do processo, uma missão de auditores do Ministério da Agricultura do Japão inspecionou frigoríficos no Sul do Brasil em junho, etapa considerada decisiva para a habilitação do país como fornecedor.
O acordo prevê a redução da tarifa sobre carne bovina americana (de 24% para 15%) e a elevação imediata nas compras de arroz, além de compromissos de aquisição de US$ 8 bilhões em produtos como milho, soja, etanol, fertilizantes e combustível sustentável de aviação (SAF). A meta japonesa de elevar a mistura de etanol na gasolina para 10% até 2030 tende a ser suprida majoritariamente pelos EUA.

Embora o Brasil tenha ampliado a produção de etanol de milho (atualmente 15% do total), a elevação da mistura obrigatória no mercado interno, de 27% para 30%, deve reduzir a oferta exportável. Diante disso, o relatório recomenda intensificar as negociações com o Japão por cotas específicas para carne e etanol, ressaltando os diferenciais ambientais da produção brasileira.
O documento ainda propõe a diversificação de mercados e o investimento em tecnologias limpas, como etanol de segunda geração, biometano e SAF. Também sugere monitorar possíveis efeitos indiretos do pacto bilateral, incluindo eventuais impactos tarifários sobre as exportações industriais brasileiras.
