O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quinta-feira (3) com seu homólogo paraguaio, Santiago Peña, antes da reunião da cúpula do Mercosul, em Buenos Aires. Durante o encontro, os mandatários decidiram retomar a revisão do anexo C do Tratado de Itaipu, que trata das bases financeiras e operacionais da hidrelétrica binacional.
"Decidimos retomar a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que estabelece as condições de partilha da energia excedente gerada pela empresa", comunicou Lula em suas redes sociais.
Além disso, os presidentes discutiram o escândalo de espionagem ligado às atividades da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no Paraguai, com o lado brasileiro reforçando "o respeito e o diálogo como os princípios fundamentais" da relação entre os países.
Lula ainda mencionou projetos de infraestrutura que abrangem o território brasileiro e paraguaio, incluindo o Corredor Bioceânico, que visa integrar por via terrestre o centro-sul do Brasil, o Chaco paraguaio e províncias do norte argentino aos portos chilenos no Pacífico. O presidente destacou sua importância para a ampliação do comércio bilateral, que atingiu valores recordes em 2024.
Peña comenta
O presidente Santiago Peña também comentou sobre os resultados do encontro em suas redes sociais, declarando que os chefes de Estado reafirmaram o compromisso de buscar um "acordo justo e equilibrado" na revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu.
Em publicação nas redes sociais, Peña descreveu o encontro com Lula como uma "conversa franca e produtiva" e destacou temas centrais da agenda bilateral.
"Discutimos o processo de revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, reafirmando nosso compromisso com a construção de um acordo justo e equilibrado para ambas as nações", escreveu.
O presidente paraguaio também mencionou o Corredor Bioceânico, afirmando que o plano tem "enorme potencial para transformar a logística e a economia de toda a região"
Sobre o escândalo ligado à atuação da Abin, Peña afirmou que expressou a Lula sua "preocupação com o caso de espionagem" envolvendo autoridades paraguaias durante negociações anteriores sobre Itaipu.
"Solicitei o pleno comprometimento das autoridades brasileiras para o esclarecimento dos fatos. Respeito e diálogo são condições básicas para fortalecer a confiança e avançar juntos em direção a um futuro compartilhado", declarou.
Em março deste ano, o governo brasileiro confirmou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) realizou uma operação de espionagem contra o Paraguai em 2022. A ação teria como alvo autoridades envolvidas na discussão das tarifas da usina.
O Brasil informou que a operação foi encerrada em março de 2023 e que o caso está sob investigação.