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Operação Barbarossa prometia vitória em semanas, mas entregou o primeiro fracasso de Hitler

Lançada em junho de 1941, a operação previa derrotar a URSS em semanas, mas terminou com o recuo das tropas nazistas, milhões de baixas e o fim do mito da invencibilidade alemã.
Operação Barbarossa prometia vitória em semanas, mas entregou o primeiro fracasso de HitlerSputnik / Arquivo | Líderes militares do Terceiro Reich

O ataque da Alemanha nazista à União Soviética em 22 de junho de 1941 marcou o começo de uma das campanhas mais ambiciosas da Segunda Guerra Mundial: a Operação Barbarossa.

O plano previa uma invasão em múltiplas frentes, com a intenção de desarticular rapidamente o comando soviético e capturar os principais centros políticos e industriais do país antes do inverno.

A ofensiva foi conduzida com base na tática da Blitzkrieg*, que havia garantido vitórias rápidas à Alemanha na Europa Ocidental, mas encontrou resistência inesperada no território soviético.

No momento da agressão contra a URSS, a Alemanha dispunha de um grande potencial econômico. No front oriental, foram concentradas 190 divisões alemãs e de seus aliados, quatro mil tanques e cinco mil aviões.

Ao mesmo tempo, a URSS se preparava em larga escala para uma guerra em potencial: um terço do Orçamento era destinado às necessidades militares, produzia ativamente armamentos e treinava suas forças para o combate.

Apesar disso, quando a guerra começou, grande parte do armamento do Exército Soviético era menos moderno que o alemão.

Em termos de efetivo, entretanto, os dois lados estavam quase equilibrados: os soldados do Exército Vermelho somavam 5,4 milhões, enquanto os alemães contavam com 5,5 milhões.

Apenas 10% dos comandantes soviéticos tinham formação militar superior, e mais de 70% dos líderes militares estavam em seus cargos há menos de um ano quando o conflito começou.

O ataque e a resposta soviética

A Grande Guerra Patriótica teve início na madrugada de domingo (22 de junho de 1941), às 3h15, quando as primeiras bombas alemãs caíram sobre a cidade de Sevastopol.

Os bombardeiros da Luftwaffe iniciaram ataques contra unidades soviéticas ao longo da fronteira ocidental. Ainda na tarde daquele dia, um soldado alemão e ex-comunista entrou em território soviético e alertou sobre o ataque iminente.

O chefe do Estado-Maior soviético, Gueorgui Jukov, e o Comissário do Povo para a Defesa, Semion Timoshenko, convenceram Josef Stalin a emitir uma nota ao exército com instruções para ocupar posições de combate secretamente e esconder os aviões nos aeródromos de campanha.

Essa ordem, porém, provocou confusão: de um lado, informava sobre um possível ataque nos dias seguintes (22 ou 23 de junho), mas tratava a informação como possível provocação. Também não especificava como identificar os agressores.

Em vez de mobilizar, a informação desorientou os comandantes. Além disso, muitas unidades não receberam a instrução, pois os paraquedistas alemães já haviam cortado as linhas de comunicação.

As primeiras perdas e falhas na defesa

Nas primeiras horas da ofensiva fascista, dezenas de cidades soviéticas, ferrovias, aeródromos, depósitos de combustível e de munições foram atacados. A aviação alemã destruiu pelo menos 1.200 aviões soviéticos, perdendo apenas 200.

Às 5h30 daquele domingo (22), durante reunião da cúpula soviética, Stalin ainda acreditava que os bombardeios poderiam ser uma provocação. Apenas após o embaixador alemão entregar um memorando declarando guerra à URSS, ele reconheceu a ofensiva como um ataque oficial.

Nas três primeiras semanas, o Exército Soviético sofreu perdas enormes: seis mil tanques, 3.500 aviões, um milhão de prisioneiros e 850 mil mortos e feridos.

Nos primeiros cinco meses, mais de cinco milhões de soldados soviéticos estavam entre mortos, feridos, prisioneiros ou desaparecidos. Cerca da metade das forças próximas às fronteiras ocidentais foi perdida.

O fracasso soviético se deveu não apenas ao fator surpresa, mas à superioridade alemã, à infraestrutura precária e à pouca utilização da inteligência aérea.

Resistência soviética e fortaleza de Brest

Apesar do pânico em parte das tropas soviéticas nas primeiras semanas, muitos soldados resistiram até o fim. Aviões danificados se lançavam contra alvos inimigos. Tanquistas preferiam destruir seus veículos a se render.

Um oficial alemão relatou: "Não tínhamos a sensação (de vitória) que tivemos na França. Aqui só encontramos resistência, por mais desesperada que fosse".

O general Franz Halder, chefe do Estado-Maior do Exército alemão, também observou: "os russos sempre lutam até o último homem".

Um dos episódios mais emblemáticos foi a defesa da fortaleza de Brest, na atual Belarus. Os alemães planejavam tomá-la nas primeiras horas da guerra. Havia entre sete e oito mil soldados soviéticos e 300 famílias de militares na fortaleza.

Desde os primeiros minutos, a cidade e a fortaleza foram bombardeadas. Uma divisão de infantaria alemã, com cerca de 17 mil soldados e oficiais, atacou a posição.

A artilharia destruiu armazéns e aquedutos, matando muitos soldados instantaneamente. Ao final do primeiro dia, os alemães haviam ocupado apenas parte da fortaleza.

Três mil soldados sobreviventes, armados com pás e facas, lançaram um contra-ataque e capturaram um depósito de armas.

Durante dois meses, os defensores de Brest repeliram ataques de mais de 12 mil soldados alemães apoiados por tanques e aviões. Inscrições deixadas nas paredes da fortaleza testemunham o espírito de resistência:

"Éramos cinco: Sedov, Grutov, Bogoliub, Mikhailov, Selivanov. Tivemos o primeiro combate em 22 de junho de 1941. Vamos morrer, mas não sairemos daqui...". 

"26 de junho de 1941. Éramos três, foi difícil, mas não perdemos o ânimo e estamos morrendo como heróis".

Os últimos defensores lutaram nos subterrâneos até agosto de 1941.

Mobilização e liderança soviética

O impacto da ofensiva impressionou Stalin. Após a queda de Minsk, ele se isolou: entre os dias 29 e 30 de junho, não foi ao Kremlin nem atendeu telefonemas.

A primeira declaração oficial foi feita por Viacheslav Molotov, com a frase que se tornaria lema das comunicações soviéticas: "Nossa causa é justa. O inimigo será derrotado. A vitória será nossa".

Stalin dirigiu-se ao povo em 3 de julho de 1941. Surpreendeu ao iniciar o discurso chamando os cidadãos de "irmãos" e "meus amigos", e não "camaradas". Enfatizou: "A guerra contra a Alemanha fascista não é apenas uma guerra entre dois exércitos. É uma questão de vida ou morte para os povos da URSS, que decidirá se serão livres ou escravos".

O discurso teve enorme impacto e ajudou a mobilizar o país. Em 23 de junho, foram criados os Quartéis-Generais para direção estratégica das Forças Armadas. Em 30 de junho, foi instituído o Comitê de Defesa do Estado, presidido por Stalin, que passou a ser o órgão central de poder, substituindo de fato o governo.

No primeiro dia da guerra, houve mobilização em massa da população. Milhares de voluntários se apresentaram às comissarias militares.

Em 29 de junho de 1941, a URSS decretou estado de guerra. Reinstaurou o sistema de racionamento, estendeu a jornada de trabalho e cancelou férias. Toda a vida do país passou a ser voltada para a vitória.

Os programas de rádio eram iniciados com a canção patriótica "A Guerra Sagrada". O lema "Tudo para o front, tudo para a vitória!" foi adotado. Um plano econômico-militar de produção de armamentos e suprimentos foi elaborado e as fábricas passaram a operar exclusivamente para o front.

O fracasso da guerra-relâmpago

Durante três semanas, as tropas alemãs avançaram entre 300 e 600 quilômetros rumo ao centro do país. O Exército Soviético recuava em todos os fronts. Letônia, Lituânia, Belarus, a margem direita do rio Dnieper na Ucrânia e quase toda a Moldova foram ocupadas.

As tropas soviéticas conseguiram deter os nazistas apenas na região de Smolensk, cuja defesa durou um mês. Esse tempo foi crucial para reunir forças na defesa de Moscou.

Enquanto o centro enfrentava dificuldades, nas laterais a ofensiva alemã avançava. Em poucas semanas, o grupo de exércitos "Norte" ocupou todo o Báltico. Em 9 de setembro, Leningrado foi sitiada.

Dez dias depois, Kiev foi cercada. Após a queda da capital ucraniana, o grupo "Sul" seguiu para Donbass e a Crimeia. Em outubro, Odessa caiu.

Apesar das perdas soviéticas e do recuo contínuo, os nazistas enfrentaram forte resistência. Nenhuma cidade foi conquistada com a rapidez planejada.

As perdas alemãs superaram as sofridas em dois anos de guerra no Ocidente: em três semanas, perderam dois mil tanques, cerca de mil aviões e aproximadamente 100 mil soldados, entre mortos e feridos.

A resistência em Moscou e o recuo nazista

Em poucos meses, os grupos "Centro" e "Norte" se aproximaram de seus objetivos principais: Moscou e Leningrado. Hitler pretendia destruir a primeira e ocupar a segunda. Mas suas expectativas foram frustradas. Leningrado resistiu a um cerco de 900 dias.

No final de setembro, Hitler lançou suas forças contra Moscou. A resistência soviética e a ação de guerrilheiros inviabilizaram seus planos.

A defesa de Moscou e a derrota dos nazistas foram cruciais não apenas para a URSS, mas para todos os países envolvidos na Segunda Guerra Mundial. A partir desse momento, caiu o mito da invencibilidade do exército alemão, que recuou pela primeira vez.

Ficou claro que a Blitzkrieg havia fracassado.

*Blitzkrieg é um termo alemão que significa "guerra-relâmpago". Refere-se a uma tática militar baseada em ataques rápidos e coordenados, envolvendo forças aéreas, artilharia e infantaria, com o objetivo de desorganizar rapidamente as defesas inimigas e conquistar territórios em curto prazo.