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Desmatamento na Amazônia sobe 91% em maio e equivale a 134 mil campos de futebol

Dados do Inpe apontam maior impacto do fogo na derrubada da floresta e risco de alta na taxa anual; Mato Grosso lidera desmate.
Desmatamento na Amazônia sobe 91% em maio e equivale a 134 mil campos de futebolGettyimages.ru / Gustavo Basso/NurPhoto

A área sob alertas de desmatamento na Amazônia teve aumento de 91% em maio de 2025 em comparação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O sistema Deter registrou a derrubada de 960 km² de floresta, o segundo maior índice da série histórica para o mês, atrás apenas de maio de 2021, com 1.390 km².

Este é o segundo aumento consecutivo no ano. Em abril, os alertas haviam subido 55%. No acumulado dos últimos dez meses, período entre agosto e maio usado para calcular a taxa oficial de desmatamento, houve crescimento de 9,7%, com 3.502 km² desmatados ante 3.191 km² no mesmo intervalo anterior.

O secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, atribuiu o aumento ao agravamento dos incêndios florestais. Segundo ele, mais da metade do desmatamento em maio, 51%, ocorreu em áreas atingidas por fogo.

"A perda de floresta em maio de 2025 se deu em maior quantidade em função de incêndios florestais, mudando uma trajetória histórica que até hoje não conhecíamos", afirmou.

A média histórica entre 2016 e 2022 era de apenas 6,6% do desmatamento em áreas incendiadas no mês de maio. Em 2023, esse número subiu para 32%, caiu para 21% em 2024 e voltou a crescer de forma expressiva em 2025. "Com a maior fragilidade da cobertura florestal, primária inclusive, estamos começando a assistir uma mudança de cenário", completou Capobianco.

No recorte por estados Mato Grosso liderou com 627 km² desmatados, alta de 237%. O uso do chamado "correntão", prática devastadora autorizada por decreto legislativo, é apontado como um dos vetores do desmatamento na região. Também houve aumento no Amazonas (22%) e leve oscilação no Pará (5%).

No Pará, o Ibama embargou mais de 70 mil hectares em 5 mil propriedades, como parte de uma ação inédita por imagens de satélite em 23 municípios. O governador Helder Barbalho, que sediará a COP30 em novembro, tentou reverter os embargos junto ao governo federal, argumentando tratar-se de "áreas produtivas".

"Fogo amigo contra o meio ambiente"

O desmatamento havia registrado forte queda em 2023 e 2024, com redução de 46% na taxa oficial medida pelo sistema Prodes, o que foi considerado um dos principais resultados da atual gestão do Ministério do Meio Ambiente. No entanto, a reversão da tendência pode comprometer a meta do presidente Lula de atingir desmatamento zero até 2030.

Internamente, a proposta é alvo de resistência. Documentos obtidos pela imprensa revelam que o Ministério da Agricultura e Pecuária considera a meta "fora da realidade e da razoabilidade".

"Na base do governo e até entre ministros, não há apenas divergências, mas fogo amigo contra o meio ambiente. A agenda ambiental não tolera duplo comando", declarou o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini.

Em resposta à nova escalada, o governo federal anunciou o maior investimento da história do Fundo Amazônia: R$ 825,7 milhões destinados ao fortalecimento da fiscalização ambiental pelo Ibama. O órgão conta hoje com o mesmo número de fiscais do início do mandato e prevê a chegada de cerca de 100 novos servidores até o fim do ano.

Enquanto isso, no Cerrado, o desmatamento caiu 15% em maio em relação a 2024. No acumulado de dez meses, a queda foi de 22%, indicando melhora no segundo maior bioma do país.