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EUA quer passar de graça pelo Canal do Panamá

Embaixador norte-americano considera "absurdo" e "injusto" que Washington pague pelo uso da rota como outras nações.
EUA quer passar de graça pelo Canal do PanamáGettyimages.ru / Justin Sullivan

O Governo dos Estados Unidos está em tratativas com o Panamá para garantir a passagem gratuita de embarcações da Marinha pelo Canal do Panamá. A informação foi revelada pelo embaixador dos EUA no país centro-americano, Kevin Cabrera, em entrevista à agência Efe.

Segundo Cabrera, os acordos firmados entre o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, incluem a busca de um "mecanismo" que permita à frota militar norte-americana cruzar a via interoceânica sem a cobrança de pedágio.

"Estamos conversando com o presidente do Panamá para definir qual será esse mecanismo", declarou o diplomata, classificando como "absurdo" e "injusto" que os Estados Unidos paguem pelo uso da rota ao lado de outras nações, uma vez que, segundo ele, o Exército norte-americano protege a passagem.

Cabrera afirmou que a proposta não viola o Tratado de Neutralidade, assinado por ambos os países em 1977. No entanto, o texto do tratado estabelece que a passagem de embarcações militares norte-americanas é permitida, mas o Canal deve permanecer acessível a todas as nações mediante pagamento, sem exceções.

Ainda durante a entrevista, Cabrera comentou sobre a visão da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto à "influência maligna da China" nos portos da região do Canal.

Ele afirmou esperar a finalização da transferência da concessão de dois dos cinco portos, atualmente operados por uma empresa de Hong Kong, para a gestora de ativos norte-americana BlackRock.

Autoridade do Canal rejeita isenção

A subadministradora da Autoridade do Canal de Panamá, Ilya Espino de Marotta, declarou nesta semana que a entidade continuará cobrando o pedágio dos navios norte-americanos.

"Não fazemos nenhum tipo de discriminação, seja por rota, país ou empresa", afirmou Espino, ressaltando que a operação precisa ser "equitativa". "É justo e igual para todos, como determina o Tratado de Neutralidade", completou, lembrando que qualquer mudança teria de partir do governo central.

Trump defende retomar o Canal

Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não descartaria o uso da força militar para retomar o controle do Canal. Desde então, as declarações sobre o desejo de reassumir o comando da via têm sido recorrentes.

Sobre esse ponto, Cabrera assegurou que não há planos de estabelecer bases militares dos EUA em território panamenho, e que tal hipótese não está prevista no memorando de entendimento assinado com o Departamento de Defesa dos EUA em 7 de abril.

O acordo tem sido alvo de protestos em território panamenho há mais de um mês, motivados por preocupações com possíveis violações à soberania nacional.

O Canal do Panamá permaneceu sob controle dos Estados Unidos até 1999, quando a administração da via foi oficialmente transferida ao Panamá. Até essa data, os EUA também mantiveram domínio sobre a chamada Zona do Canal, com presença militar permanente.