
EUA quer passar de graça pelo Canal do Panamá

O Governo dos Estados Unidos está em tratativas com o Panamá para garantir a passagem gratuita de embarcações da Marinha pelo Canal do Panamá. A informação foi revelada pelo embaixador dos EUA no país centro-americano, Kevin Cabrera, em entrevista à agência Efe.
Segundo Cabrera, os acordos firmados entre o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, incluem a busca de um "mecanismo" que permita à frota militar norte-americana cruzar a via interoceânica sem a cobrança de pedágio.
"Estamos conversando com o presidente do Panamá para definir qual será esse mecanismo", declarou o diplomata, classificando como "absurdo" e "injusto" que os Estados Unidos paguem pelo uso da rota ao lado de outras nações, uma vez que, segundo ele, o Exército norte-americano protege a passagem.

Cabrera afirmou que a proposta não viola o Tratado de Neutralidade, assinado por ambos os países em 1977. No entanto, o texto do tratado estabelece que a passagem de embarcações militares norte-americanas é permitida, mas o Canal deve permanecer acessível a todas as nações mediante pagamento, sem exceções.
Ainda durante a entrevista, Cabrera comentou sobre a visão da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto à "influência maligna da China" nos portos da região do Canal.
Ele afirmou esperar a finalização da transferência da concessão de dois dos cinco portos, atualmente operados por uma empresa de Hong Kong, para a gestora de ativos norte-americana BlackRock.
Autoridade do Canal rejeita isenção
A subadministradora da Autoridade do Canal de Panamá, Ilya Espino de Marotta, declarou nesta semana que a entidade continuará cobrando o pedágio dos navios norte-americanos.
Ilya Espino de Marotta: EE.UU. paga su peaje y luego ven su arreglo con el gobierno #Polígrafo con @cajarbenaj.#Panamáhttps://t.co/1T8aPuPHhKpic.twitter.com/cKu4V2yeED
— La Estrella de Panamá (@EstrellaOnline) April 27, 2025
"Não fazemos nenhum tipo de discriminação, seja por rota, país ou empresa", afirmou Espino, ressaltando que a operação precisa ser "equitativa". "É justo e igual para todos, como determina o Tratado de Neutralidade", completou, lembrando que qualquer mudança teria de partir do governo central.
Trump defende retomar o Canal
Em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não descartaria o uso da força militar para retomar o controle do Canal. Desde então, as declarações sobre o desejo de reassumir o comando da via têm sido recorrentes.
Sobre esse ponto, Cabrera assegurou que não há planos de estabelecer bases militares dos EUA em território panamenho, e que tal hipótese não está prevista no memorando de entendimento assinado com o Departamento de Defesa dos EUA em 7 de abril.
O acordo tem sido alvo de protestos em território panamenho há mais de um mês, motivados por preocupações com possíveis violações à soberania nacional.
O Canal do Panamá permaneceu sob controle dos Estados Unidos até 1999, quando a administração da via foi oficialmente transferida ao Panamá. Até essa data, os EUA também mantiveram domínio sobre a chamada Zona do Canal, com presença militar permanente.
