Cientistas criam traje de mergulho para baratas ciborgues. Saiba o porquê

Nos testes, a barata equipada com o dispositivo conseguiu sobreviver e se locomover por até três horas submersa, tornando-se um robô ciborgue anfíbio.

Pesquisadores desenvolveram um "traje de mergulho" para transformar baratas vivas em insetos ciborgues capazes de operar tanto em terra quanto debaixo d'água.

A tecnologia, descrita em um estudo publicado na segunda-feira (29), na revista científica Nature Communications, pode ampliar o uso desses animais em missões de busca e resgate, inspeção de dutos e exploração de ambientes de difícil acesso.

Os cientistas projetaram um sistema em miniatura que combina uma camada flexível e impermeável com um gerador químico de oxigênio.

O equipamento fornece continuamente oxigênio aos espiráculos, estruturas responsáveis pela respiração dos insetos, ao mesmo tempo em que impede a entrada de água.

Nos testes, a barata sibilante de Madagascar (Gromphadorhina portentosa) equipada com o dispositivo conseguiu sobreviver e se locomover por até três horas submersa, tornando-se um robô ciborgue anfíbio.

Baratas ciborgues

Os pesquisadores explicam que insetos ciborgues unem a mobilidade natural dos animais ao controle eletrônico de seus movimentos.

Como utilizam a própria musculatura para se locomover, consomem muito menos energia do que robôs convencionais de tamanho semelhante, que dependem de motores e baterias.

Além disso, baratas conseguem atravessar fendas estreitas, suportam impactos e se adaptam a terrenos irregulares, características que as tornam candidatas para operações em locais onde robôs tradicionais encontram dificuldades.

Até agora, porém, esses sistemas eram limitados ao ambiente terrestre. Em cenários reais de desastres, inspeção de infraestrutura ou resgates, é comum haver áreas alagadas, túneis parcialmente inundados ou poças profundas, interrompendo a operação dos insetos.