
Bactérias em nevoeiros podem 'comer' poluentes, sugere estudo

Cientistas descobriram que bactérias presentes em nevoeiros não apenas sobrevivem nas gotículas suspensas no ar, mas também podem degradar poluentes atmosféricos em alta velocidade.
O estudo, publicado em 11 de maio na revista científica mBio, foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona e da Universidade de Susquehanna, nos Estados Unidos.

A análise identificou forte presença de bactérias do gênero Methylobacterium, conhecidas por consumir compostos voláteis de carbono, incluindo o formaldeído — substância considerada tóxica e associada à poluição atmosférica.
Para testar essa atividade, os pesquisadores incubaram amostras de água do nevoeiro e monitoraram os níveis de compostos químicos presentes. O formaldeído desapareceu rapidamente, atingindo níveis indetectáveis.
De acordo com os autores, a velocidade da degradação foi cerca de 200 vezes maior do que taxas anteriormente observadas em águas de nuvens.
Bactéria do nevoeiro
Os cientistas analisaram amostras coletadas antes, durante e depois de 32 eventos de nevoeiro ao longo de dois anos. O foco da pesquisa foi o chamado nevoeiro por radiação, fenômeno que se forma durante a noite em condições de ar calmo e sem vento.
Segundo os pesquisadores, as concentrações de bactérias encontradas nas gotículas de névoa são comparáveis às registradas em ambientes aquáticos, como oceanos e lagos. Além disso, os microrganismos aparentam estar metabolicamente ativos e até se reproduzindo dentro da própria névoa.
