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Participantes de programa de namoro do Reino Unido denunciam abusos sexuais

Três mulheres relataram que sofreram situações sexuais violentas e sem consentimento.
Participantes de programa de namoro do Reino Unido denunciam abusos sexuaisGettyimages.ru / Simon Ackerman

Três participantes do popular programa televisivo "Married at First Sight UK" ("Casados à Primeira Vista"), do Reino Unido, denunciaram ter sofrido agressões sexuais por parte de seus "maridos".

Segundo elas, apesar dos alertas feitos à produção sobre os episódios, as cenas continuaram disponíveis na plataforma de streaming da Channel 4. A emissora respondeu que as acusações não foram comprovadas.

O programa consiste em unir pessoas solteiras com desconhecidos escolhidos pela produção, com quem se encontram pela primeira vez no dia da cerimônia de casamento. Depois, os casais são filmados durante a "lua de mel".

Foi nesse período de convivência que ocorreram as agressões relatadas pelas mulheres à BBC na segunda-feira (19).

Uma delas, identificada como Shona Manderson, participou da temporada de 2023 e afirmou que seu parceiro ultrapassou limites durante as relações sexuais. "Um limite foi cruzado, completamente", disse. Dias após deixar o programa, ela descobriu que estava grávida e decidiu fazer um aborto.

Em resposta, Bradley Skelly, seu "marido" no programa, afirmou que todos os atos íntimos ocorreram "com consentimento mútuo, cuidado e afeto", além de negar as acusações de violência sexual e comportamento controlador.

Violência e ameaças

Outra denunciante, identificada pelo pseudônimo Lizzie para preservar sua identidade, afirmou que os sinais de alerta surgiram logo após o início da "lua de mel", devido a episódios de "raiva absoluta".

Ela contou que as relações sexuais se tornaram violentas, deixando hematomas em seu corpo, e que o homem não parava mesmo quando ela pedia. Um dos episódios ocorreu no sofá de seu apartamento, quando o "marido" insistiu em manter relações sexuais apesar de ela tentar impedi-lo.

"Ele continuava dizendo: 'Você não pode dizer não, você é minha esposa'. E fez mesmo assim", relembrou. Segundo Lizzie, ela ficou com marcas dos dedos após ser forçada.

"Fiquei completamente paralisada de medo e nunca imaginei que algo pudesse me assustar tanto", afirmou. Além do estupro, ela disse que foi ameaçada: "Ele disse que, se eu contasse a alguém o que aconteceu, faria alguém jogar ácido em mim".

De acordo com seu relato, na manhã seguinte ela entrou em contato com a produção, que fotografou as marcas em seu corpo. No entanto, os advogados da produtora alegaram que Lizzie teria descrito os hematomas como resultado de sexo agressivo, mas consensual.

Ela também relatou o caso a um psiquiatra do programa, afirmando que havia sido estuprada. Sua advogada, Charlotte Proudman, acusou o reality show de demonstrar "falta de interesse, incapacidade de fazer perguntas importantes e ausência de medidas básicas de proteção". Os advogados do "marido" negaram as acusações e disseram que a relação sexual foi consensual.

Outra denúncia de estupro

O terceiro depoimento também envolve uma situação de sexo sem consentimento. Segundo Chloe, nome fictício usado para preservar sua identidade, o homem não parou mesmo após ela pedir.

Após a denúncia, os advogados do participante afirmaram que as relações foram consensuais e que, quando a mulher demonstrou por meio da linguagem corporal que não queria continuar, ele interrompeu imediatamente. Eles também negaram que ele a tenha tocado contra sua vontade.

Diante dos relatos, a Channel 4 rejeitou as acusações de negligência com o bem-estar das participantes, mas anunciou a retirada das temporadas anteriores do programa do ar.

"A Channel 4 agiu com rapidez, de forma adequada e sensível, colocando o bem-estar em primeiro lugar", afirmou a diretora-executiva da emissora, Priya Dogra, em comunicado.