O corredor do câncer de Luisiana - RT Reporta

Parece lógico acreditar que todos têm direito a viver em um ambiente que não te mate. Mas não é assim. Na Luisiana, Estados Unidos, existe um lugar com um nome tão sombrio quanto preciso: "o corredor do câncer". Esse é o resultado de as empresas mais poluentes do país terem escolhido essa região para instalar suas fábricas.

O Meio Ambiente e sua proteção se tornou um foco de política nacional e internacional, com cada vez mais políticos se engajando na retórica ambientalista e assumindo compromissos ousados. Em paralelo, a realidade, em que muitas pessoas sofrem com a poluição extrema, é muito diferente das promessas em alguns países.

Nos EUA, o estado de Luisiana, culturalmente rico e inspirador, na verdade é o berço do chamado "corredor do câncer", cujas inúmeras fábricas literalmente matam habitantes com emissões tóxicas no ar, solo e água.

Assim, nessa área de cerca de 160 quilômetros entre Nova Orleans e Baton Rouge se concentram mais de 150 refinarias de plantas industriais entre as mais poluentes do país. Famílias que outrora viveram em meio à natureza sem conhecer doenças, agora morrem uma por uma por uma só causa: o câncer. "O que ele pensava ser uma herança acabou sendo uma sentença de morte", disse uma moradora da área sobre a terra que seu pai tinha comprado nesse lugar que um dia foi próspero.

Crianças na escola, mulheres e idosos - todos sofrem das emissões do cloropreno, produto cancerígeno, com risco 50% maior de doenças do que no resto do país. Vivendo em uma das regiões mais poluídas e sendo o segundo estado mais pobre dos EUA, as pessoas não têm a possibilidade de escapar desse pesadelo, vivendo cercadas pelas plantas industriais.

Escravidão perpétua

A maioria da população que vive no chamado "corredor de câncer" são pessoas afro-americanas pobres. O problema é agravado pela desproporção entre a população negra e os índices de emprego, com algumas pessoas morando em trailers ou vivendo na extrema pobreza.

Sendo a Luisiana uma área historicamente construída pela escravidão, moradores locais precisam lidar com empresas erguidas quase nos túmulos dos seus antepassados. "É irônico que as indústrias que substituíram os escravistas continuem dominando corpos das pessoas que foram escravizadas nessas terras", disse à RT Clyde Robertson, Diretor do Centro de Estudos africanos e afro-americanos da Universidade do Sul em Nova Orleans. Para ele, "é ironia cruel que essas pessoas ainda carregam o peso dos anseios capitalistas daqueles que os oprimiram durante as suas vidas".

Guiados pelo princípio de "não no meu quintal", as autoridades fecham os olhos para a tragédia da área, preferindo que a produção tóxica fique longe de suas cidades.

O caso dessa área é só uma das várias amostras das "zonas de sacrifício", que enfrentam danos ambientais e falta de investimentos ao mesmo tempo. Atualmente, pelo menos 250 mil pessoas vivem em territórios parecidos nos EUA, que, segundo ativistas, agrava o problema do "racismo extremo", e que ainda não conta com soluções eficazes.