Galícia: ancorados na droga - RT Reporta

Nos anos 1980, a costa da Galícia transformou-se na principal porta de entrada de drogas na Europa, mas uma parte significativa dessas substâncias não seguia para outros países: permanecia na própria região e era consumida pela população local. Os narcotraficantes atuavam de forma ostensiva, e a onda de mortes entre jovens galegos foi tão devastadora que suas consequências ainda hoje são visíveis.

A Galícia, região situada no noroeste da Península Ibérica, é conhecida como a porta da Espanha para o Atlântico. No entanto, a região autônoma tem vivido há décadas as sequelas do narcotráfico, que deixou marcas profundas nas famílias locais.

A quietude e o tabu

À primeira vista, a Galícia parece uma região tranquila e calma. Contudo, um tema sombrio assombra o cotidiano: o narcotráfico. As "drogas pesadas" que chegaram nos anos 80 marcaram gerações inteiras, como relata Dora Carrera, vice-presidente honorária da associação de assistência à dependência química ÉRGUETE. Seu testemunho reflete o caos e a desinformação sobre as drogas naquela época, o que deixou muitas famílias desoladas.

A organização das mães

Com o passar do tempo, Dora uniu-se a outras mães que, como ela, optaram por levantar a voz contra o problema. Juntas, elas formaram uma associação dedicada a desmascarar os narcotraficantes locais. 

Impacto na comunidade

As ruas da Galícia, antes tranquilas, transformaram-se em locais de consumo e desespero. Antón Bouzas, trabalhador do Centro de Atenção à Dependência Química do Município de Vigo (CEDRO), descreve como os jovens da época se reuniam em chutaderos, prédios abandonados ou terrenos baldios onde viciados consomem drogas. A emergência de um problema tão complexo exigiu uma abordagem diferente por parte da comunidade, buscando ajudar em vez de condenar.

A falta de recursos e o descaso das autoridades resultaram no aumento das mortes por overdose e na disseminação do vírus HIV, um fenômeno que destruiu muitas famílias.