
O Estado brasileiro tem uma dívida histórica com a população das favelas - Entrevista RT
Em entrevista à RT, Guilherme Simões, secretário nacional de Periferias, analisou os desafios das populações que vivem nas favelas no Brasil.

O secretário afirmou que, apesar das políticas públicas mais recentes, o crescimento dessas comunidades persiste, impulsionado pela desigualdade urbana e pela especulação imobiliária, que expulsa as camadas mais pobres para áreas periféricas. Simões enfatizou que o Estado brasileiro possui uma "dívida histórica" com essas populações, em grande parte negra, herança direta do passado colonial e escravista do país.
Diante de tal cenário, a Secretaria implementa o programa Periferia Viva, que visa articular políticas públicas nacionais nesses áreas. A iniciativa busca levar um "combo" de infraestrutura urbana, moradia digna e acesso a direitos básicos como educação, saúde e cultura. Um exemplo concreto disso é o projeto 'CEP para Todos', uma parceria com os Correios para fornecer endereçamento postal formal a mais de 12 mil favelas, facilitando o acesso a serviços essenciais.
Questionado sobre a eficácia de investimentos como o novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o secretário reconheceu que, mesmo com previsões orçamentárias elevadas, o passivo de infraestrutura e desigualdade social do país é imenso. Ele criticou a força da especulação imobiliária – que mantém milhões de imóveis vazios enquanto existe um déficit habitacional – e a atuação de uma elite econômica retrógrada, com laços internacionais, que prioriza o lucro sobre o desenvolvimento social.



