'O mundo precisa da vacina da dengue' - Entrevista RT

O Brasil é o primeiro país a aprovar uma vacina monodose contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A diretora de seu Centro de Desenvolvimento e Inovação, Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, afirma que depois da COVID "a gente já não pode mais pensar numa coisa estritamente local e regional e municipal", sublinhando a necessidade do intercâmbio global. Em ‘Entrevista’, da RT, também são abordados os avanços das vacinas contra o zika e a gripe aviária.

O combate a doenças como a dengue enfrenta desafios complexos que vão além da ciência. Em entrevista à RT, a bioquímica brasileira Ana Marisa Chuzinski Tavassi destaca que fatores como saneamento básico inadequado, mudanças climáticas e a necessidade de educação contínua da população dificultam a proteção das comunidades.

Nesse contexto, as vacinas desenvolvidas pelo Instituto Butantan surgem como uma ferramenta crucial de prevenção. A instituição, aprendendo com a pandemia de Covid-19, prepara-se para uma atuação global, trabalhando com padrões internacionais de fabricação para que suas vacinas possam beneficiar não apenas o Brasil, mas também o restante do planeta, especialmente países tropicais e em desenvolvimento, que compartilham os mesmos desafios.

Cooperação internacional

A cooperação é apontada como a grande lição e o principal legado positivo da pandemia. O desenvolvimento acelerado da vacina contra a gripe aviária em cerca de um ano e meio demonstra a eficácia do trabalho multidisciplinar e em rede, seja dentro do Instituto ou diante de parcerias com organismos internacionais e instituições brasileiras, como a Fiocruz.

Tavassi enfatiza que a chave de aceleração não é apenas financiamento, mas determinação política para investir de forma estratégica em infraestrutura e capital humano.

A criação de plataformas de cooperação, como a iniciativa do BRICS para eliminar doenças socialmente determinadas, é vista como vital para países do sul global. Essas plataformas possibilitam desenvolver soluções próprias e compartilhar conhecimento, fortalecendo a autonomia tecnológica desses países e sua capacidade de resposta a futuras pandemias.