A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu, nesta sexta-feira (21), que Deise Moura dos Anjos foi responsável pela morte de quatro familiares em Torres, no Litoral Norte do estado, destacou o G1. Segundo a investigação, Deise envenenou três pessoas com um bolo contaminado por arsênio em dezembro de 2024 e, três meses antes, assassinou o sogro ao lhe oferecer bananas e leite em pó envenenados.
Primeiro envenenamento: morte do sogro
Em setembro de 2024, José dos Anjos, sogro de Deise, morreu após consumir bananas e leite em pó contaminados. Segundo a investigação, os alimentos foram entregues por Deise, o que causou sua morte pouco depois da ingestão. A mulher não levantou suspeitas imediatas, e o caso permaneceu sem explicação até que novos envenenamentos ocorreram.
O caso do bolo envenenado
Na tarde de 21 de dezembro de 2024, sete pessoas da mesma família se reuniram em uma casa em Torres para um café. O bolo, que havia sido preparado por Zeli dos Anjos em Arroio do Sal e levado ao encontro, foi servido a todos os presentes. Pouco depois de consumirem o alimento, três mulheres passaram mal e vieram a óbito:
Maida Berenice Flores da Silva;
Neuza Denize Silva dos Anjos (irmã de Maida);
Tatiana Denize Silva dos Anjos (filha de Neuza).
Outras quatro pessoas também foram hospitalizadas, incluindo Zeli dos Anjos, sogra de Deise e apontada pela polícia como o verdadeiro alvo do envenenamento. Uma criança de 10 anos que comeu o bolo sobreviveu. Zeli recebeu alta em janeiro de 2025. A informação foi revelada pelo programa Fantástico, da TV Globo.
Investigação e prisão de Deise
Com a suspeita de envenenamento, a Polícia Civil iniciou uma investigação que acumulou mais de mil páginas de documentos. Mais de 400 páginas foram dedicadas apenas à análise da morte do sogro de Deise.
Durante a investigação, foi descoberto um recibo que comprovava a compra de arsênio pela suspeita, apesar das restrições legais para aquisição do veneno.
Em 5 de janeiro de 2025, Deise foi presa temporariamente e levada para a Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba. Durante o período na cadeia, escreveu diversas cartas, algumas contendo mensagens de rancor em relação à sogra. Em um dos trechos divulgados pela polícia, ela escreveu:
"Muito obrigada por esses 20 anos que fez da minha vida de casada um inferno, mais uma vez eu sou a vilã e você a mocinha."
Morte da suspeita e fim do processo
Deise foi encontrada morta em sua cela antes de ser julgada. Com seu falecimento, a polícia não pode indiciá-la, pois, de acordo com o Código Penal, a morte extingue a punibilidade. O Ministério Público deve pedir o arquivamento do processo.
O delegado Fernando Sodré, chefe da Polícia Civil, afirmou: "Ela é a única autora desse fato criminoso. E por isso, em razão do seu falecimento, levou à extinção da punibilidade."
A investigação descartou que Deise tivesse motivação financeira para cometer os crimes. Segundo a delegada regional do Litoral Norte, Sabrina Deffente, a principal hipótese é que ela sofria de uma grave perturbação mental.
"A única conclusão que chegamos é que ela tinha uma grave perturbação mental. Até se cogitou motivação financeira, mas, quando descobrimos que tentou matar marido e filho, a motivação financeira foi descartada", explicou a delegada.
A polícia também investiga como Deise conseguiu comprar arsênio com facilidade, já que a aquisição da substância é rigidamente controlada por legislação e exige apresentação de documentos e justificativa de uso.