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Audiência no STF sobre marco temporal termina sem consenso

Disputa segue para votação após divergências em proposta elaborada pelo gabinete de Gilmar Mendes.
Audiência no STF sobre marco temporal termina sem consensoGettyimages.ru / NurPhoto

O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta segunda-feira uma audiência de conciliação para discutir uma proposta de alteração na lei que estabelece um marco temporal para a demarcação de terras indígenas. No entanto, não houve consenso na maior parte do texto. Diante disso, está prevista para a próxima segunda-feira uma votação que analisará os pontos em que não se chegou a um acordo.

A sessão contou com a participação da União, do Congresso Nacional, de partidos políticos e do Ministério Público Federal, entre outras entidades. O juiz auxiliar do gabinete de Gilmar Mendes, Diego Veras, presidiu a audiência e criticou o alto número de trechos destacados para revisão, conforme divulgado pelo jornal O Globo.

"Me chama a atenção que vocês destacaram praticamente todos os dispositivos. Salvou-se aqui, talvez, 5% do que foi previsto. Isso demonstra duas coisas: a aridez do tema e a indisposição de quem está aqui, sentado à mesa, de negociar", afirmou Veras.

Histórico da disputa

Em 2023, o STF declarou inconstitucional a tese do marco temporal, que determinava que os povos indígenas só teriam direito às terras que ocupavam no momento da promulgação da Constituição, em 1988. Logo após a decisão, o Senado aprovou uma lei que restabelecia essa tese. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o texto, mas o Congresso derrubou o veto, restaurando o marco temporal.

Desde então, diversas ações foram apresentadas ao STF, algumas contestando a validade da lei e outras buscando sua confirmação. O ministro Gilmar Mendes, relator do caso, propôs uma solução conciliatória.

Propostas e pontos de divergência

O gabinete de Gilmar Mendes apresentou uma proposta de alteração da lei na sexta-feira (14). Um dos principais pontos do texto é a garantia de proteção constitucional aos direitos originários dos povos indígenas sobre suas terras, independentemente da existência do marco temporal de 1988 ou da ocorrência de conflitos judiciais.

A proposta também permite atividades econômicas em terras indígenas, incluindo contratos de cooperação com não indígenas. No entanto, foi acrescentado um mecanismo de fiscalização que prevê a exigência judicial de ajustes ou o encerramento de contratos irregulares.

Outro ponto relevante é a retirada da previsão que permitia a instalação de bases militares em territórios indígenas sem consulta prévia. A nova proposta estabelece que, para haver intervenções desse tipo, deve existir um "interesse público relevante da União" e ser feita consulta prévia às comunidades afetadas. Caso os indígenas se oponham, o presidente da República poderá autorizar a medida, desde que comprove sua "imprescindibilidade".

A minuta também propõe uma nova regulamentação sobre a exploração mineral em terras indígenas, prevendo que as comunidades afetadas receberão 50% da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Além disso, sugere que terras indígenas já demarcadas possam ser redimensionadas em até cinco anos após sua demarcação, caso se comprove um "erro grave e insanável" no processo.

Caso a proposta seja aprovada na audiência de conciliação, ela precisará ser homologada por Gilmar Mendes e, posteriormente, levada ao plenário do STF para decisão final.