Itália bloqueia DeepSeek alegando 'informações insuficientes'

Segundo autoridades do país europeu, a decisão de banir o aplicativo chinês, que causou um grande abalo no campo de IA ocidental no início da semana, é justificada para "proteger os dados dos usuários".

A Itália se tornou o primeiro país a proibir o novo modelo chinês de inteligência artificial, DeepSeek, devido a "preocupações sobre o uso de dados pessoais".

"A Autoridade de Proteção de Dados Pessoais ordenou a restrição do processamento dos dados dos usuários italianos em relação à rede neural DeepSeek, como uma questão de urgência e com efeito imediato", informou o órgão regulador do país.

No dia 20 de janeiro, a startup chinesa DeepSeek lançou seu próprio modelo de IA, abalando o mercado global e provocando uma queda de quase US$ 1 trilhão na bolsa de valores Nasdaq, nos Estados Unidos.

Segundo testes da empresa, o "Qwen 2.5-Max supera em quase todos os aspectos o GPT-4o, o DeepSeek-V3 e o Llama-3.1-405B", afirmou a unidade de computação em nuvem do Alibaba em um comunicado publicado no WeChat, referindo-se aos modelos de IA de código aberto mais avançados da OpenAI e da Meta*.

A controvérsia começou após a Euroconsumers, grupo de defesa dos direitos do consumidor, apresentar uma queixa contra a DeepSeek por supostas falhas no manuseio de dados pessoais. Em resposta, a agência reguladora italiana exigiu informações detalhadas sobre as práticas da empresa, dando um prazo de 20 dias para esclarecimentos.

No entanto, a resposta inicial da DeepSeek foi considerada "totalmente insuficiente", segundo comunicado da autoridade reguladora.

Contrariando as alegações do órgão italiano, a empresa chinesa afirmou que não opera na Itália e que, portanto, a legislação europeia não se aplica a ela. A nota ainda destacou que o aplicativo foi baixado por milhões de usuários em todo o mundo em poucos dias.

*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.