O Comitê Investigativo da Rússia anunciou, nesta sexta-feira (31), que identificou o envolvimento de militares ucranianos da 92ª Brigada de Assalto em crimes contra civis russos, incluindo idosos, em uma localidade da província de Kursk.
Os soldados das Forças Armadas da Ucrânia são acusados de atos de terrorismo, estupros e tortura cometidos em grupo e com premeditação. Entre os suspeitos estão o soldado Evgueni Fabrisenko, que confessou os crimes durante interrogatório, além de um comandante conhecido como "Kum" e outros três militares codinome "Motyl" ("Verme Vermelho"), "Provodník" ("Motorista") e "Khudózhnik" ("Artista").
A investigação aponta que os militares ucranianos entraram ilegalmente em território russo em setembro de 2024 e, entre 28 de setembro e 24 de novembro, mataram 11 homens e 11 mulheres na aldeia de Rússkoye Poréchnoye, no distrito de Sudzha. Oito dessas vítimas foram estupradas, segundo as autoridades russas.
Os corpos dos 22 civis foram posteriormente levados para porões de prédios na vila. "Até o momento, investigadores, em cooperação com militares do Ministério da Defesa da Rússia, recuperaram os corpos das vítimas nos locais indicados pelos acusados", informou o Comitê Investigativo, destacando a gravidade dos crimes.
"No decorrer da investigação, serão identificados os comandantes ucranianos que deram as ordens criminosas, assim como seus cúmplices, para que respondam legalmente", acrescentou o órgão russo.
"Eu a coloquei de joelhos e atirei"
Evgueni Fabrisenko foi capturado pelo Exército russo no distrito de Sudzha e interrogado no âmbito da investigação. Ele confessou os crimes e detalhou os atos cometidos com os demais suspeitos.
O soldado afirmou que, em uma das ações, ele e três cúmplices invadiram uma casa e encontraram uma jovem aparentando ter entre 18 e 20 anos. "Nós a estupramos com uma especial crueldade. Depois coloquei a garota de joelhos e atirei nela com um fuzil de assalto", disse Fabrisenko.
Ele relatou ainda que, após o crime, o grupo entrou em outra residência, onde mataram dois homens e estupraram e assassinaram uma mulher. Segundo o soldado, uma das vítimas teve as veias cortadas por "esculacho".
Idosos foram amarrados em porão e uma granada foi jogada lá dentro
Fabrisenko também relatou que o grupo ouviu ruídos vindos de um celeiro, onde encontraram seis idosos escondidos. "Tiramos os três idosos e as três idosas do esconderijo, amarramos suas mãos e os pusemos em um porão", disse ele.
Em seguida, segundo o relato, "Motyl" lançou uma granada no local. O soldado afirmou que os idosos sabiam o que aconteceria, pois foram avisados pelos militares.
Este mês, forças russas de operações especiais encontraram corpos de civis torturados em um porão em Rússkoye Poréchnoye. As vítimas eram idosas e apresentavam hematomas, perfurações e roupas rasgadas. O estado dos corpos indica que estavam ali há meses.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, condenou o episódio, classificando-o como "mais uma demonstração do caráter terrorista e neonazista do regime de Kiev". Segundo ela, a "impotência militar e política" da Ucrânia diante das derrotas no campo de batalha está levando o regime ucraniano a cometer "massacres desumanos".