A União Europeia propôs o banimento da exportação de consoles de videogame para a Rússia como parte do próximo pacote de sanções, informou o Financial Times na terça-feira, citando a chefe de política externa do bloco, Kaja Kallas.
Kallas afirmou que a Rússia estaria utilizando consoles como Xbox, da Microsoft, e PlayStation, da Sony, para controlar drones.
"Estamos realmente analisando todos os tipos de produtos que ajudam a Rússia a travar essa guerra para incluí-los na lista de sanções", disse a diplomata, segundo o jornal.
A medida, que fará parte de um pacote de restrições mais amplo, tem como alvo comerciantes do bloco que continuam exportando consoles para a Rússia, incluindo vendedores de produtos usados.
Os três maiores fabricantes de consoles – Sony, Microsoft e Nintendo – já haviam suspendido as vendas na Rússia após as sanções ocidentais impostas no início de 2022. No entanto, seus produtos continuam a chegar ao mercado russo por meio de países terceiros.
"Falta de compreensão de indústria"
Agências de inteligência ocidentais e ucranianas afirmam que Moscou estaria adaptando componentes eletrônicos civis para o uso militar devido às restrições na importação de componentes militares.
No entanto, o CEO da importadora Achivka e chefe da Associação Russa de Distribuidores e Importadores de Videogames, Yasha Haddazhi, questionou a eficácia da medida. Segundo ele, nenhum país da UE fabrica consoles, e as importações russas sequer passam pelo bloco.
Haddazhi afirmou que a proposta de Kallas "demonstra uma completa falta de compreensão da indústria de videogames ou é apenas outro gesto simbólico".