
Metade da riqueza extraída da Índia pelo Reino Unido beneficiou 10% dos britânicos mais ricos

A organização não governamental de direitos humanos Oxfam, com sede na Inglaterra, afirmou que quase US$ 33,8 trilhões da riqueza extraída da Índia durante séculos de domínio colonial foram destinados aos 10% mais ricos do Reino Unido.
Segundo o relatório da Oxfam, intitulado "Takers not Makers", esse montante seria suficiente para cobrir Londres com notas de £50 mais de quatro vezes.
Esse valor representa quase metade dos estimados US$ 64,82 trilhões retirados pelos britânicos da Índia entre 1765 e 1900. O Reino Unido governou a Índia por mais de 250 anos, até a independência do país, em 1947. Outras partes do território indiano também foram colonizadas por Portugal, Holanda e França.
A Oxfam apontou que a extração de riqueza não apenas enriqueceu os mais ricos, mas também beneficiou a classe média emergente do Reino Unido, que recebeu 32% dos fundos.
O relatório argumenta ainda que o colonialismo foi responsável pela destruição da produção industrial da Índia. As potências coloniais impuseram políticas protecionistas rígidas contra os têxteis asiáticos, o que causou um impacto devastador no país.

Segundo a ONG, em 1750, a Índia respondia por cerca de 25% da produção industrial global, mas esse percentual caiu drasticamente para apenas 2% em 1900.
Em 2015, Shashi Tharoor, político e escritor indiano, membro do Parlamento pelo Congresso Nacional Indiano – atualmente um importante partido de oposição – argumentou em um discurso em Oxford que o Reino Unido deveria compensar a Índia pelos danos econômicos e sociais causados durante o domínio colonial.
Tharoor defendeu que o Reino Unido explorou os recursos indianos, enriquecendo-se às custas do país, e pediu um pedido formal de desculpas e reparações financeiras.
O relatório, divulgado antes do Fórum Econômico Mundial em Davos, destacou os impactos duradouros do colonialismo sobre a desigualdade e os sistemas econômicos, efeitos que persistem até hoje em escala global.
O estudo observou que, no ano passado, a riqueza dos bilionários aumentou US$ 2 trilhões, o equivalente a uma média de US$ 5,7 bilhões por dia, três vezes a taxa de crescimento registrada em 2023.
"Supremacia bilionária"
Em uma publicação no X (antigo Twitter), Amitabh Behar, diretor executivo da Oxfam, declarou que vivemos uma era de "supremacia bilionária", com Donald Trump e Elon Musk como os "símbolos máximos" dessa realidade.
"Só no ano passado, os bilionários acrescentaram US$ 2 trilhões às suas fortunas, o que equivale a 100 milhões por dia para os dez mais ricos."
A Oxfam comparou as corporações modernas à Companhia das Índias Orientais, criada pelo Império Britânico para negociar com outros países. Segundo a organização, essa estrutura perpetuou um "mundo profundamente desigual, marcado por divisões raciais" e que "continua a extrair riqueza do Sul Global em benefício das pessoas mais ricas do Norte Global".